segunda-feira, maio 25, 2026

Polígono das Secas: Onde a Natureza e o Homem se Cruzam em um Duelo de Gigantes

O Polígono das Secas, vasta e emblemática região do Nordeste brasileiro, é um cenário de luta constante, onde a natureza e o homem se encontram em um duelo de gigantes. É um território marcado por uma herança histórica complexa, onde a batalha de Canudos ecoa como um símbolo da resistência e da esperança, e a música Súplica Cearense canta a alma sofrida, mas inquebrantável, de seu povo.

O texto nos lembra que os fatores naturais e a ação humana se entrelaçam no processo de degradação ambiental. No Polígono das Secas, essa interação se manifesta de forma dramática. As características climáticas da região, marcadas por longos períodos de seca e chuvas irregulares, a tornam naturalmente vulnerável à degradação. No entanto, a ação humana, impulsionada por modelos de desenvolvimento excludentes e práticas insustentáveis, agrava e acelera esse processo.

A herança histórica e o peso do passado:

A região do Polígono das Secas foi palco de conflitos e disputas territoriais que deixaram marcas profundas em sua paisagem e em sua sociedade. A batalha de Canudos, por exemplo, é um episódio que ilustra a resistência de uma comunidade que buscava alternativas para a sobrevivência em um ambiente hostil. A obra "Os Sertões", de Euclides da Cunha, é um registro detalhado e comovente desse conflito, que expôs as contradições e as injustiças sociais que permeavam a região.

A arte como expressão da alma e da realidade:

A música Súplica Cearense, com sua melodia tocante e letra profunda, é um retrato da alma do sertanejo, que convive diariamente com a escassez de água e as incertezas do clima. A canção clama por chuva, mas também expressa a fé e a esperança de um povo que não se entrega diante das adversidades. A arte, nesse contexto, torna-se uma forma de resistência e de expressão da identidade cultural.

A degradação ambiental e os desafios do presente:

O processo de degradação ambiental no Polígono das Secas é um desafio complexo que exige ações urgentes e coordenadas. O desmatamento, a agricultura intensiva e a exploração descontrolada de recursos naturais são alguns dos principais fatores que contribuem para a degradação do solo e da biodiversidade. As mudanças climáticas, por sua vez, intensificam os efeitos das secas e agravam a vulnerabilidade da região.

Em busca de soluções sustentáveis:

Para enfrentar os desafios do Polígono das Secas, é necessário adotar práticas sustentáveis que promovam o desenvolvimento socioeconômico da região em harmonia com a preservação do meio ambiente. A gestão eficiente dos recursos hídricos, a promoção da agricultura familiar e o incentivo à conservação da biodiversidade são algumas das ações que podem contribuir para a construção de um futuro mais justo e sustentável para o Polígono das Secas.

O Polígono das Secas: um convite à reflexão e à ação:

O Polígono das Secas é um território que nos convida a refletir sobre a complexa relação entre natureza, sociedade e desenvolvimento. É um cenário de luta e resistência, onde a arte e a história se entrelaçam em uma narrativa de superação e esperança. É também um lembrete de que a degradação ambiental é um problema que exige ações urgentes e coletivas, e que o futuro da região depende de nossas escolhas no presente.

segunda-feira, outubro 02, 2023

Ensaio: Por que insistimos em camuflar nossa triste história.


Ensaio: Por que insistimos em camuflar nossa triste história.

Seja com “Atlântico Negro, na rota dos Orixás”, ou ainda com “A Rota do Escravo” a UnB sempre fez questão de exaltar em suas avaliações a africanidade pujante e firme que reside com muita luta em sociedade. O Brasil recebeu mais da metade dos povos africanos escravizados que se deslocaram para a América, este espinho ainda teima em ferir a nossa carne. É algo que jamais podemos esquecer. Levando em consideração as teses de René Descartes, que defendia que a modernidade criou o indivíduo e, ainda, o mais contemporâneo pensamento de Michael Foucault, que ia além, quando referendava que a modernidade criou o próprio ser humano, é possível determinar com fatos consistentes que a modernidade também foi responsável pelo maior espectro de destruição de sociedades que a humanidade conheceu, a escravidão. A despersonificação, dessocialização e a desterritorialização são nítidas e a identidade deste povo é marcada pela homogeneização espúria e violenta. Fenômeno que até hoje deixam cicatrizes indeléveis na sociedade brasileira. Essa deportação em massa, com privação do direito de existência seria, aos moldes dos valores defendidos pela declaração universal dos direitos humanos, crime de genocídio. Mas, 20 segundos da obra Amistad de Steven Spilberg sobre Tráfico Negreiro, já são capazes de rememorar sob quais condições nosso povo foi construído. Talvez, seja esta a base do pensamento do historiador Paulo Prado em “Ensaios sobre a tristeza brasileira”: “um país como o nosso usa de uma falsa alegria para camuflar uma tristeza profunda e estrutural. Não há felicidade num local construído a partir da escravidão, da cobiça e do estupro”. (Grifo nosso) O que nos falta talvez é exercitar essa memória, não as dos vencedores (colonizadores), sob o risco de continuarmos, como diria Chimamanda Adichie, a mercê do risco de uma história única. No fim, o perfilamento racial acaba nos tornando protagonistas dessa violência até hoje, afinal "todo camburão tem um pouco de navio negreiro" (O Rappa)

terça-feira, fevereiro 07, 2023

Ao Vinicius Jr., Com Carinho!

Ao Vinicius Jr., com carinho!

Que está mensagem reverbere e, parafraseando, Sidney Poitier na Obra: Ao mestre, com Carinho! “É dever de vocês mudar o mundo, se puderem”. E essa tem sido a luta de Vinicius... Se é consciente o tempo dirá... Mas, transformador, sem dúvidas é.

O que estão fazendo com o Vinicius Jr na Espanha é um atentado claro à Declaração Universal dos Direitos Humanos, precisamente nos Artigos 5°, 6° e  7°. Viola a dignidade humana pois, expõe o atleta a um tratamento degradante, impede o seu direito de SER em qualquer lugar, incita o ódio e a discriminação. Portanto, precisa ser combatido com o máximo rigor.

Já foram ultrapassados todos os limites. É inaceitável sob todos os aspectos. Não é mais algo do campo e bola. Não se restringe a violência dos zagueiros. Vai muito além. É ódio em sua maneira mais vil. No momento em que colocaram um boneco do atleta pendurado pelo pescoço em uma via pública de Madri o posicionamento deveria ser claro e contundente. O futebol ali acabou. É urgente uma ação.

Já que as autoridades espanholas, europeias e desportivas não se manifestam, o Estado Brasileiro precisa se pronunciar e se posicionar fortemente na defesa contra atos racistas, xenófobos, violentos contra qualquer cidadão brasileiro. Pelo menos é o que diz a nossa Carta Magna.

O silêncio sepulcral das principais instituições esportivas indicam não só a negligência como a cumplicidade de tais atos. As medidas são paupérrimas, as punições inexistem e a comunidade futebolística assume seu lado espúrio ao não tratar esse tema com a responsabilidade necessária. A instituição mais importante do futebol, que adora uma "campanha" publicitária para ganhar engajamento sobre temas como racismo, na prática é especialista em "sportswashing" e associação com sistemas autoritários sanguinários. No fim, eles odeiam o esporte e quem o pratica. Gostam mesmo é dos louros e da pomposa conta bancária que o futebol produz a uma parcela mínima de quem joga. O Ponta de Lança africano é invisibilizado de sua origem. Só serve de pé de obra.

Na Espanha o debate sobre o racismo quase inexiste. Todavia, isso não pode impedir que este tema seja alvo de apontamentos firmes no mundo do esporte. Até quando os grandes atletas do ontem e do hoje se calarão diante deste tipo de violência? Alguns ídolos, hoje, dirigentes na Espanha devem se posicionar, não é mesmo Ronaldo Nazário de Lima? (que já quis associar sua imagem à UNICEF sem sucesso). Aliás, à exceção de Kaká, todos o jogadores brasileiros reconhecidos pelo prêmio de melhor da Fifa, a partir da década de 1990, são negros e jogaram na Espanha. Será que nenhum deles sairá em defesa de Vinicius? De fato, ascensão social não necessariamente produz consciência. E ao atleta do futebol consciência, ainda mais coletiva, é tão raro quanto água no deserto.

Quanto ao posicionamento do Estado Brasileiro, o art.4º nos seus incisos II e VIII deixam bem claro a prevalência dos direitos humanos e o repúdio ao racismo como base de nossas relações internacionais. E órgãos como o Itamaraty precisam ficar atentos quando o direito de brasileiros são violados fora do país, ainda mais de maneira tão escancarada como ocorre na Espanha. E dias, após a elaboração deste texto mais um atleta brasileiro, Iago Galvão, do Basquete foi vítima de racismo na Espanha com os gritos de uma torcedora os os dizeres: "Mono!!!" Macaco em espanhol.

O caso Vini Jr. está longe de ser novidade ou algo isolado. Mas, a conotação e os contornos são graves pois, ameaçam sua existência, é necropolítica e atacam um símbolo pátrio dos mais importantes. Como ocorreu no Haiti, jamais permitirão que um sorriso negro, da zona tórrida tupiniquim, vença como um corpo negro, que baila de forma intrépida sobre empáfia dos colonizadores que ainda não superaram a sua condição de escravocratas. Mal sabem: o Vinícius José já venceu. E, em São Gonçalo, nas Favelas e comunidades brasileiras, ele sempre será muito mais do que um jogador de futebol. Ele é um super-herói bailarino e sorridente que através de sua arte transforma e transformará o mundo. E isso, racista e xenófobo nenhum poderá ser. Jamais.

#bailavinijr

por Flávio Bueno