terça-feira, agosto 09, 2011

TEXTO PARA 2º ANO!!! BC - URBANIZAÇÃO BRASILEIRA!!!


A URBANIZAÇÃO NO BRASIL

Podemos afirmar que o Brasil, hoje, é um país urbanizado. Com a saída de pessoas do campo em direção às cidades, os índices de população urbana vem aumentando sistematicamente em todo o país. A parti da década de 60, as cidades passaram por um processo de dispersão espacial, à medida que novas porções do território foram sendo apropriadas pelas atividades agropecuárias.

É considerável o numero de pessoas que trabalham em atividades rurais e residem nas cidades. As greves dos trabalhadores bóias-frias acontecem nas cidades, o lugar onde moram. São inúmeras as cidades que nasceram e cresceram em áreas do país que tem a agroindústria como impulso das atividades econômicas secundárias e terciárias.

Em virtude da modernização do campo, assiste-se a uma verdadeira expulsão dos pobres, que encontram nas grandes cidades seu único refúgio. Como as industrias absorvem cada vez menos mão-de-obra e o setor terciário apresentam um lado moderno, que exige qualificação profissional, a urbanização brasileira vem caminhando lado a lado com o aumento da pobreza e a deterioração crescente das possibilidades de vida digna aos novos cidadãos urbanos.

Os moradores da periferia, das favelas e dos cortiços tem acesso a serviços de infra-estrutura precários. O espaço urbano, quando não oferece oportunidades, multiplica a pobreza.


A REDE URBANA BRASILEIRA

Apenas a parti da década de 40, que se estruturou uma rede urbana em escala nacional. Até então, o Brasil era formado por “arquipélagos regionais” polarizados por suas metrópoles e capitais regionais. A integração econômica entre São Paulo, Zona da Mata nordestina, Meio-Norte e região Sul era extremamente frágil. Com a modernização da economia, primeiro as regiões Sul e Sudeste formaram um mercado único que, depois, incorporou o Nordeste e, mais recentemente, também o Norte e o Centro-Oeste.

As metrópoles concentravam os índices de crescimento urbano e econômico e detinham o poder político em grandes frações do território. É o caso de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. As metrópoles abrigavam, em 1950, aproximadamente 18% da população do país; em 1970, cerca de 25%; e, em 1991, mais de 30%.

A medida que a infra-estrutura de transportes e comunicações foi se expandindo pelo país, o mercado se unificou e a tendência a concentração urbano-industrial ultrapassou a escala regional, atingindo o país como um todo. Assim, os grandes pólos industriais da região Sudeste, passaram a atrair um enorme contingente de mão-de-obra das regiões que não acompanharam seu ritmo de crescimento econômico e se tornaram metrópoles nacionais. Após a Revolução de 1930, que levou Getulio Vargas ao poder, até meados da décadas de 70, o governo o federal concentrou investimentos de infra-estrutura industrial na região Sudeste, que , em conseqüência, se tornou o grande centro de atração populacional do país. Os migrantes que a região recebeu eram, constituídos por trabalhadores desqualificados e malremunerados, que foram se concentrando na periferia das grandes cidades.

Com o passar dos anos, a periferia se expandiu demais e a precariedades do sistema de transportes urbanos levou a população de baixa renda a preferir morar em favelas e cortiços no centro das metrópoles.

A rede urbana interfere na vida das pessoas de maneiras diferentes. As pessoas de classe social mais alta podem aproveitar de tudo numa metrópole, todos os recursos estão a disposição. Mas outros que já não podem nem levar ao mercado o que produzem, são presos aos preços e as carências locais. Para estes a rede urbana não é totalmente uma realidade.

As condições de determinada região determinam a desigualdade entre as pessoas. Por isso, muitos são cidadãos diminuídos ou incompletos.


AS METRÓPOLES BRASILEIRAS

As regiões metropolitanas brasileiras foram criadas por lei aprovadas no Congresso Nacional em 1973, que as definiu como “um conjunto de municípios contíguos e integrados socioeconomicamente a uma cidade central, com serviços públicos e infra-estrutura comum”.

A medida que as cidades vão se expandindo horizontalmente, ocorre a conurbação, ou seja, elas se tornam contínuas, plenamente integradas, e os problemas de infra-estrutura urbana são comuns ao conjunto de municípios da metrópoles.

Foram criados os conselhos deliberativos e consultivos para administrar esses problemas comuns a um conjunto de cidades. Recebe o nome de Secretária de Estado dos Negócios Metropolitanos. Na prática, acaba tomando decisões administrativas em função de determinações políticas e sob ordens do governador do estado, deixando as determinações técnicas em ultimo plano.

No Brasil, são legalmente reconhecidas treze regiões metropolitanas. Duas delas São Paulo e Rio de Janeiro são nacionais. As outras onze metrópoles, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Belém, Baixada Santista, Vitória, São Luís e Natal, são consideradas regionais por exercerem seu poder de polarização apenas em escala regional.

A baixada Santista e a região de Campinas, que, juntamente com o vale do Paraíba, formam a primeira megalópole brasileira entre São Paulo e Rio de Janeiro, agrupam um conjunto de treze cidades-satélites são administrados pelo governo do Distrito Federal. Em 1998, foi aprovado pelo Senado projeto autorizado a Presidência da Republica a instituir a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno. A secretaria do Entorno do Distrito Federal é responsável pela política de planejamento integrado de 42 municípios. Manaus, apesar de ter superado a cifra de um milhão de habitantes e exercer enorme poder de polarização em uma vasta área da Amazônia, não possui nenhum município a ela conurbação e poder, portanto, ser administrada apenas pelo poder municipal.

EXERCÍCIO

1) O que contribuiu para a vinda de muitos para as cidades? E com que conseqüência?

---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------

2) Como se formaram os grandes pólos regionais?

---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------

3) O que é conurbação?

---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------

TEXTO PARA 3º ANO - BC - Organizações Internacionais!!!


O papel atual das Organizações Internacionais e a inserção brasileira

PREFÁCIO

Prefaciar este artigo é para mim, professora de Direito Internacional, motivo de júbilo e orgulho. Ter como monitor e orientar um Acadêmico do nível cultural , moral, ético e de incrível interesse e de saber jurídico ,como o Felipe, realmente me faz uma pessoa de sorte e feliz. Saber que tanto para ele como para outros , o Direito Internacional tem no âmago de seus seres a importância que lhe é devida em toda a conjuntura jurídica, é extremamente gratificante.

Neste artigo, pequeno, sem grandes pretensões científicas , mas totalmente integrado à realidade atual, o Acadêmico Felipe, consegue apresentar as Organizações Internacionais de forma clara e precisa. Dá-nos uma noção da posição das mesmas nas áreas geopolítica e de política internacional e nacional, de forma a despertar o interesse de toda a comunidade jurídica.

Cabe a mim como professora da Disciplina, somente observar alguns aspectos e fatos históricos que deram origem, ao que hoje chamamos Organizações Internacionais.

Talvez os hebreus tenham sido, dentre os povos da antigüidade, os primeiros que sonharam com um mundo sem guerras. Miquéias, seu profeta disse :

“Ele julgará entre muitos povos e reprovará nações poderosas e longínquas; eles converterão as suas lanças em podedeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra ...”

Alguns doutrinadores fazem remontar a origem das Organizações Internacionais aos anseios de paz perpétua desenvolvidos através dos tempos pelos irenistas (livros destinados a apaziguar as discórdias dos Cristãos, no primeiro século). Tais projetos , não raro tinham o sentido restrito, pretendendo muitos apenas, alcançar somente o mundo cristão.

Platão também sonhou com a paz. Ele imaginou a Terra dividida em dez reinos, que seriam distribuídos entre 10 filhos de Poseidon. Nunca haveria guerra. Uma Assembléia presidiria os interesses e um Tribunal julgaria seus litígios.

Dante, pregou a criação de uma “Monarquia Universal”.

Benthan, na obra “Plano para uma Paz Universal e Perpétua” sugeria a formação de uma confederação que disporia de uma Dieta e de um Tribunal, decidindo os conflitos por arbitragem.

Alberto Torres no Brasil, em 1909,objetivando a consecução da paz universal, escreveu o livro “ Vers la Paix”.

Muitos outros manifestaram-se favoravelmente à criação de um ou vários organismos disciplinadores das relações internacionais e mantenedores da paz universal. Deixaram de alcançar seus objetivos, talvez por estarem adiantados em seu tempo ou por já terem nascidos pejados de interesses subalternos.

Somente ao quase findar de um hecatombe mundial, haveria a humanidade de realmente buscar numa Organização Internacional, a Liga das Nações, uma tentativa de concretizar seu milenar anseio pela paz universal.

Feita esta pequena dissertação histórica, vamos ao âmago das Organizações Internacionais, esperando que todos ( alunos, docentes e especialistas do Direito) possam além de melhor conhecê-las, refletir sobre a necessidade e a utilidade das mesmas no mundo atual.

I – INTRODUÇÃO

Este artigo busca esclarecer aos estudantes de Direito o papel das Organizações Internacionais na atual conjuntura política mundial. Considerando que vivemos num mundo marcadamente voltado para o relacionamento internacional, devemos privilegiar a abordagem jurídica internacional, compreendendo as suas estruturas e ao mesmo tempo tendo capacidade crítica capaz de avaliar as limitações existentes em um sistema que historicamente se impõe.

Nas palavras do famoso professor Thomas R.Van Dervort: “The emergence of a worldwide comunity of nations with a functioning set of diferenciated political decision-making institutions, and set of legal principles that define its functions, is the most important development of the twenttieth century.”(tradução livre do autor - “A emergência de uma comunidade mundial das nações com um conjunto funcional de diferenciadas instituições para tomada de decisões políticas e o conjunto de princípios legais que definem as suas funções, é o mais importante desenvolvimento do século vinte. “

De fato, qualquer cidadão medianamente informado já ouviu falar na atuação de uma Organização Internacional, seja pela atuação da OTAN em Kosovo, alguma manifestação político - reinvindicatória contra o Banco Mundial ou mesmo os esforços da UNESCO para trazer dignidade à criança e às mulheres nas zonas mais carentes do planeta. Não raras vezes as notícias do jornal versam unicamente sobre a atuação dos órgãos supranacionais ou as Organizações Internacionais.

Chama à atenção que a cadeira de Direito Internacional , segundo decisão do Ministério da Educação e Cultura para a universidade de Ciências Jurídicas no Brasil, é obrigatória nos currículos apontando o que o Brasil também está inserido neste novo cenário mundial. Há portanto hoje uma verdadeira necessidade nacional que o novo panorama do relacionamento das nações seja entendido profundamente pela Universidade Brasileira e também pelos órgãos da administração interna, tendo em vista a preparação de nossos profissionais para uma nova modalidade jurídico-organizacional do mundo.

Ademais, para se estabelecer uma ordem internacional é necessário o pré-estabelecimento de uma estrutura legal, ou seja, as reformas supranacioanis, sejam econômicas ou sanitárias, passam por um processo jurídico-legislativo tornando cada vez mais necessário o aprimoramento do jurista para a área internacionalista.

II - ACEPÇÃO DOUTRINÁRIA

Há, na recente doutrina internacionalista uma abordagem conceitual e organizacional das Organizações internacionais. É neste sentido que vamos encontrar o conceito de Organizações Internacionais como o estabelecido pelos professores Ricardo Seintenfus e Deisy Ventura:

“As Organizações internacionais são associações voluntárias de Estados constituídas através de um Tratado, com a finalidade de buscar interesses comuns por intermédio de uma permanente cooperação entre seus membros.”1

A Própria Carta das Nações Unidas reconhece a utilidade de Organizações Internacionais regionais e especifica a seus membros que estes organismos ou agências que tenham por objetivo manutenção e da paz e segurança internacionais e agem de acordo com os princípios da Nações Unidas são apropriadas para ações regionais ( art. 52[ 1]). A Declaração também direciona o Conselho de Segurança a “encorajar o estabelecimento de disputas locais através de Organizaçoes Regionais.” ( art. 52[2]).

Atualmente, sob a égide da nomenclatura de Organizações Internacionais possuímos uma ampla variedade de entidades que podemos dividir em:

a) Organismos especializados das Nações Unidas:

Segundo a Carta das Nações Unidas, são aquelas que foram ou que venham a ser “criadas por acordos intergovernamentais e com amplas responsabilidades internacionais, definidas em seus instrumentos básicos, nos campos econômico, social, cultural, educacional, sanitário e conexos” (art.57). Como por exemplos a Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Mundial as Saúde (OMS), Organização Marítima Internacional (OMI), União Internacional de Telecomunicações (UIT) entre outras;

b) Organizações de cooperação econômica:

As organizacões de cooperação econômica podem ser divididas em organismos de alcance continental e os de alcance regional.

Estas organizações, muito embora tenham sido criadas com o fim de integração econômica, abrangem hoje estruturas legislativas e judiciárias, com conseqüências até mesmo militares como a recente polícia criada na Comunidade Européia. São exemplos a ALADI ( Associação Latino-americana de Integração e Desenvolvimento), MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), União Européia (UE), etc...

c) Organizações regionais :

Englobam uma série de instituições com fins diversos que os da integração econômica e que são formados principalmente por países desenvolvidos que irão contrastar drasticamente com as iniciativas na África e na Ásia. São muitas vezes fins diversos que englobam também as trocas de bens e mercadorias como a “Organização da Conferência Islâmica” (OCI), datada desde 1972 que tem por objetivo primordial consolidar a solidariedade islâmica na busca de direitos nacionais. São outros exemplos a Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Grupo dos Sete...

d) Organizações não-governamentais:

As ONG’s são um fenômeno recente da prática internacional. Como o nome indica, seus integrantes são particulares e não Estados. Nesse sentido, elas se aproximam das características das empresas transnacionais, mas sem fins lucrativos. Portanto, as ONG’s internacionais podem ser definidas como sendo as organizações privadas, movidas pela solidariedade transnacional, sem fins lucrativos.

Interessante é que o surgimento das ONG’s está vinculado ao grau de maturidade e participação da sociedade, por isso sua presença é mais acentuada na América do Norte e na Europa Ocidental. Um exemplo de ONG é o movimento ecológico “Greepeace” bem como o “Americas Watch” que funciona como um observador de violações aos direitos humanos.

III – O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

Após esta exposição mais conceitual e doutrinária sobre o tema passa a ter lugar no raciocínio o papel desempenhado pelo nosso tema de estudo. É claro que uma abordagem mais detalhada ou minudente é desnecessária a este artigo, considerando a extensão do tema e seus desdobramentos. O mais importante objetivo colimado por este artigo é justamente permitir ao leitor desavisado abordar o tema e capacitá-lo a uma visão crítica ao mesmo tempo que compõem uma base mínima de conhecimentos para uma posterior pesquisa mais aprofundada. A mesma realidade colocada nas ONG’s serve aqui a título de exemplificação: na medida que o cidadão brasileiro gozar de informações suficientes em relação à política internacional, a inserção da sociedade civil na construção política mundial será mais abrangente e profícua.

Primeiramente, o acesso à informação é um dado básico para se lidar concretamente com as Organizações Internacionais, pois estas não só possuem objetivos de auxílio ou construção de realidades mundiais mais justas mas também correlatamente prestam informações acerca de seus trabalhos com fins de divulgação ou captação de recursos financeiros e humanos.

Desta forma, na internet, é muito simples encontar toda a dinâmica destes organismos, principalmente os vinculados à ONU. Por exemplo, se o tema procurado é “Organização Mundial do Comércio”, digitando-se a sigla internacional em língua inglesa acrescido do .org é possível se obter informações completas sobre tal instituto. (por exemplos :www.wto.org (OMC) ; www.who.org (OMS); www.oas.org (OEA), etc...Neste aspecto está incluído um papel importante das Organizações Internacionais: atuar no auxílio mundial na construção da paz e desenvolvimento mas exercendo publicidade e atuando de forma democrática , com a participação dos Estados.

O papel das Organizações Internacionais está definido em Tratados internacionais, Protocolos de intenção e Estatutos internos mas o desenvolvimento progressivo destes objetivos se dá em Conferências para estipulação de metas “pro tempore”, bem como avaliação do já efetuado. Os objetivos traçados exigem uma estipulação de conceitos delimitados a serem trabalhados e muitas vezes reformulados. Por exemplo, a Organização Mundial da Saúde, tem por fim primeiro dar um conhecimento em nível mundial em relação ao campo as saúde, mas para tal a OMS define saúde como “Health is a state of complete phisical, mental and social well-being and not merely the absense of disease or infirmity.” ( tradução livre do autor – “é o estado de completo bem estar físico, mental e social e não meramente a erradicação de doença ou enfermidade”).

Não poderia deixar de mencionar o papel dos voluntários nas Organizações Internacionais como o executado na Palestina em relação aos padrões sexuais esteriotipados, El Salvador, na defesa da dignidade da mulher e da criança frente à guerrilha e na Índia, frente a uma imensa multidão de miseráveis. Os voluntários seguem um programa padrão da ONU denominado “United Nations Volunteers” ( www.unv.org) e atuam temporariamente em áreas geralmente sanitárias e educativas com atuações bastante elogiáveis em zonas menos privilegiadas do planeta.

IV – O BRASIL E AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

As relações internacionais brasileiras começaram às avessas, com a abertura dos portos ainda sob o regime Imperial mas com um relacionamento comercial exclusivo e privilegiado com a Inglaterra.

Contudo a inserção do Brasil nas suas relações com os Organismos Internacionais pode ser reconhecido e avaliado como muito proveitoso. Embora o Brasil não tenha participado da I Grande Guerra, vamos figurar na parte dos vitoriosos com nossa oportuna participação no Congresso de Versalhes o qual tanta criar pela primeira vez um órgão de caráter universal para a solução dos conflitos e para a manutenção da paz e cooperação internacional. O Brasil participará de forma transitória do Conselho da Liga, renovando todos os anos seu mandato de membro e só sairá deste em 1926 com a entrada da Alemanha.

Este é um episódio interessante na participação internacional brasileira pois na iminência de a Alemanha se tornar membro permanente do Conselho, o Brasil quis materializar um sonho de potência requerendo também sua entrada como membro permanente mas teve seu pedido negado. Sob esta circunstância, vetou a entrada da Alemanha ( pois neste conselho ao contrário do Conselho de Segurança da ONU todos os membros tinham direito ao veto) que de qualquer maneira alcançou seus objetivos e o Brasil acabou saindo da posteriormente fracassada Liga das Nações.

Na recente história mundial o Brasil tem exercido uma política externa bastante atuante, aderindo aos mais diversos Organismos Internacionais, segundo uma diretiva de participação na nova política mundial. Ente ao adesões de maior destaque podem ser citados : Organização Mundial do Trabalho (OIT) em 10/01/1920; Fundo Monetário Internacional (FMI) em 14/07/1955; Organização das Nações Unidas (ONU) em 12/09/1945; Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 14/10/1946; a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 15/03/50; Organização dos Estados Americanos (OEA) em 13/12/1951; o Mercado Comum do Sul ( MERCOSUL) em 29/11/91 e Organização Mundial do Comércio (OMC) em 01/01/1995 entre outros.

Interessante é que até hoje, a inserção do Brasil no Conselho de Segurança como membro permanente da ONU figura como um objetivo concreto de nossa diplomacia dada a participação efetiva da Força Expedicionária Brasileira ao lado dos Aliados nos combates na Itália bem como a posição estratégica do Brasil na América latina e sua posição manifestadamente pacifista.

Os outros objetivos da política externa brasileira, manifestados nas recentes ações diplomáticas são a discussão da Dívida Externa onde recomeçamos a negociar o “quantum” devido e é de suma importância a reversão do quadro de juros pagos. O grande avanço é o Brasil poder adotar uma postura mais madura frente ao Banco Mundial, já que até pouco tempo praticávamos a política do “calote internacional ”. “As moratórias, assim como as cartas de intenção com o FMI e os Acordos não cumpridos, compuseram a imagem de pouca confiança, o que se agrava pela instabilidade econômica, política e das instituições.”2 .

Figura ainda a preocupação com a formação de um Bloco econômico latino-americano, principalmente o MERCOSUL. Digo principalmente, considerando que se a experiência européia aponta para a unicidade, a aglutinação de uma única estrutura, a Comunidade Européia; a experiência latina ou mesmo americana pratica o desdobramento de objetivos com a formação das mais diversas estruturas de integração com composição de Estados diferenciada (por exemplos: ALCA, Pacto Andino, ALADI, NAFTA, MERCOSUL, ALALC). A pergunta que ocorre por via de conseqüência é se esta multiplicidade não atrapalha o processo de integração latino. Há correntes doutrinárias que não vêem a multiplicidade de estruturas supranacionais como um fator “negativo”, como por exemplo o reconhecido professor Luis Olavo Batista. Já, por outro lado, há correntes divergentes às quais este autor se coaduna.

Outra questão que não poderia deixar de ser mencionada é a questão nuclear ou ambiental. Aqui vislumbramos a distância que há entre os discursos ecológicos de alguns governantes e das ONG’s européias, às posições oficiais dos Estados a respeito do tema e às concessões que estão dispostos a fazer em nome da proteção ambiental. Ou seja, é inegável a conivência de certos governos com a depredação da Amazônia, ainda que em seu território proliferem movimentos de cunho ecológico. A Amazônia não pode transformar-se em purgatório da má consciência ambiental dos países desenvolvidos. Os programas de cooperação internacional devem ser extremamente objetivos, a auxiliar a solução dos problemas amazônicos e não das ONG’s.

V – CONCLUSÃO

Apesar da existência das Organizações Internacionais, o Século XX conheceu duas guerras mundiais e dezenas de conflitos militares que ocasionaram mais de cinqüenta milhões de mortos e refugiados. A paz foi como disse Paul Valéry, “a guerra noutro lugar” . O homem criou formas de destruição massiva, com as armas nucleares e químicas. As tentativas de limitar o perigo de uma deflagração generalisada, que viria a destruir toda a forma de vida sobre a terra, muitas vezes ocorreu à margem das organizações internacionais.

Não existe ainda uma organicidade, um trabalho em conjunto no que tange à atuação das Organizações Internacionais e isto afeta as mais diversas áreas. Por exemplo: com a negativa de intervenção por parte da ONU em Kosovo, a OTAN assumiu um papel quase “unilateral” com a matança de muitos civis, da mesma forma a Organização Mundial da Saúde não consegue aglutinar os pesquisadores mundiais em direção à descoberta da cura da AIDS, pois os interesses econômicos e autorais impedem uma busca conjunta.

Da mesma forma o narcotráfico, pois as rotas da cocaína, transportada para os grandes mercados consumidores na América do Norte e Europa, envolvem os “paraísos financeiros” da América Central e do Caribe. O Panamá, as Bahamas, as Ilhas Caymã e as Ilhas Virgens – esses são os centros principais de lavagem do dinheiro do narcotráfico na América. ( Questões internacionais Contemporâneas, pg. 264). Apesar dos esforços do governo dos EUA, muitas vezes ultrapassando o limite da legalidade internacional, para refrear o problema do narcotráfico e suas conseqüências, não existe um esforço real e efetivo das Organizações Internacionais, a não ser esparsas tentativas por parte de ONG’s.

Conclui-se então, que o contexto da necessidade de uma paz mundial, oriunda das duas grandes guerras, veio a gerar toda uma nova ordem mundial, protagonizada por entidades supranacionais que hoje já extrapola o limite da jurisdição sobre a atuação militar e do regulamento da corrida armamentista. Se “El derecho es, en esencia, un orden para promover la paz”3 como já apregoava Hans Kelsen, e a paz é uma realidade distante, quanto mais as questões da saúde, do subdesenvolvimento etc...

Resta, contudo que nós, hoje cidadãos do mundo, principalmente os que atuam na ordem jurídica, político-diretiva ou na formação de opinião, conheçamos mais de perto a estrutura das Organizações Internacionais e conhecendo sejamos partícipes da busca da “utopia” de uma Comunidade Global voltada para a paz e integração solidária.

VI – BIBLIOGRAFIA:

1) Dervort, Thomas R. van. International Law and Organization – na introduction. London: Sage Publications. 1998.

2) Kelsen, Hans. Derecho y Paz en las relaciones internacionales. México: Fondo de Cultura Econômica. 2ª edição 1996.

3) Magnoli, Demétrio. Questões Internacionais Contemporâneas. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão. 2000. 2ª edição

4) Seintenfus, Ricardo e Ventura, Deisy. Introdução ao Direito Internacional Público. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora. 1999

5) Seintenfus, Ricardo. Para uma nova Política Externa Brasileira. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora. 1994

6) ________, Manual das Organizações Internacionais. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora. 1997.

7) United Nations Volunteers Magazine. Issue 88. June 2000

8) Vários. Política Externa. Vol 8 . Nr. 04 . Março-abril-maio 2000. Brasília: Editora Paz e Terra.

sábado, agosto 06, 2011

TEXTO PARA 7ª SÉRIE - ISAAC NEWTON - AMÉRICA LATINA - Região de maior desigualdade social no mundo!!!


Uma década após a primeira guinada à esquerda registram-se alguns resultados positivos

Um fantasma paira sobre a América Latina, aquele do socialismo do Século XXI. Um socialismo que não tem características comuns com aqueles conhecidos como "socialismo existente" (Estado de partido único, economia plenamente controlada), mas, também, nada igual com a social-democracia européia de hoje que, ao que tudo indica, está entregue, incondicionalmente, aos ditames do neoliberalismo.

Aliás, apesar da tendência comum, da ascensão ao poder em quase a América Latina toda, nos últimos anos, de governos de esquerda, as aproximações políticas para solução dos sérios problemas econômicos e sociais diferem.Existe, contudo, uma tendência comum: o esforço de "desindexação" da forte influência de Washington, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das receitas neoliberais da década de 1980.Para se tornar compreensível a guinada à esquerda, iniciada pela Venezuela, em 1998, e expandida no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Nicarágua, é preciso recorrer a dois parâmetros básicos: a gigantesca desigualdade social e pobreza - acrescentando as criminosas discriminações do colonialismo contra as populações indígenas, o fracasso das políticas neoliberais da década de 1990 e - as crises econômico-fnanceiras e monetárias que aquelas políticas causaram.De acordo com dados de pesquisa recente, realizada pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), a América Latina é a região de maior desigualdade sócioeconômica do mundo.Os países com a maior desigualdade são (relatório da ONU deste ano) a Bolívia (60,1%), Colômbia (58,6%), Paraguai (57,8%) e Chile (57,1%). Também o Banco Mundial (Bird), em seu relatório, destaca que "quase 25% do total da população da América Latina sobrevive com menos de US$ 2 por dia."A pesquisa da Cepal constatou, ainda, que o desemprego na região aumentou - pelo menos - em 10%. Em determinados países, como a Argentina, o desemprego cresceu de 8,8% em 1990, para 19,7% em 2002, enquanto no Uruguai aumentou de 8,5% para 17%.Importante, contudo, é a constatação do Bird sobre a pesada herança deixada pelo colonialismo europeu: "Na Guatemala, Bolívia e Brasil, três países, nos quais as diferenças étnicas e tribais desempenham papel importante, mais de 50% das famílias de brancos têm acesso à rede de esgoto, contra apenas 30% das indígenas", menciona, caracteristicamente, o relatório do Bird.A crise monetária que atingiu Brasil e Argentina no final da década de 1990 acrescentou às massas de pobres gente da classe média. A política de indexação com o dólar e a liberalização do mercado com privatizações que adotou o denominado "novo Peron", líder da Argentina, Carlos Menem, na década de 1990 resultaram, com a crise dos mercados emergentes, na fuga em massa dos capitais e levaram a Argentina à derrocada.Resultados expressivosO congelamento das contas bancárias levou, sob o peso de violentas manifestações populares, à queda do governo De La Rua, em 2001. Fábricas foram abandonadas e enquanto seus ricos proprietários fugiam para o Paraguai - a "Suíça" da América Latina - seus trabalhadores assumiam a autogestão das empresas abandonadas, com bastante sucesso.Quase uma década após a primeira guinada à esquerda dos países da América Latina e, apesar das críticas e disputas políticas, registram-se alguns resultados positivos em relação à solução dos problemas.Na Argentina, o Governo Kirchner - o mais conservador de centro-esquerda - conseguiu reduzir o desemprego de 18,3%, em dezembro de 2001, para 10,2% em dezembro do ano passado. Reestatizou os Correios e a Companhia de Águas de Buenos Aires e criou novas empresas estatais - uma de transporte aéreo, outra de energia elétrica e uma terceira de satélites.Mas, o resultado mais importante foi o resgate da dívida da Argentina com o FMI, de mais de US$ 9 bilhões, sem sofrer outras políticas restritivas, graças, também, à ajuda da Venezuela, que financiou o pagamento da dívida argentina.O reeleito - apesar das denúncias de escândalos envolvendo altos funcionários de seu governo - presidente Lula, do Brasil, conseguiu, entre 2003 e 2005, criar 3,5 milhões de postos de trabalho.De acordo com dados da Faculdade de Economia da Fundação Getulio Vargas, o indicador de pobreza de 27,3% da população em 2003, foi reduzido para 25,1% em 2004. A renda real das famílias mais pobres cresceu 28% entre 2004 e 2005, enquanto aumentou em 25% o salário mínimo.O líder da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro a adotar uma linha mais radical, assustando Washington, que tentou - sem sucesso - derrubá-lo com um golpe de Estado, caracterizando-o de "novo Fidel Castro".Chávez não promoveu nacionalizações (a empresa estatal de petróleo PDVSA já havia sido estatizada desde 1975), mas renegociações dos contratos das empresas petrolíferas, destinando substancial parcela das arrecadações do caro petróleo a programas de política social.Nos bairros pobres da Venezuela está sendo executado um interessante programa de controle social, com a criação de "comissões", "corpos legislativos" e "bancos comunitários", estes últimos responsáveis pelo financiamento direto, desviando-se das estruturas burocráticas dos grandes bancos.Nova uniãoNos rastros de Chávez, o esquerdista indígena presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, promoveu logo após sua eleição a nacionalização das reservas naturais de seus país. Morales deu um passo a mais, promovendo a formação de uma nova união latino-americana de países - a exemplo da União Européia - e fixou um prazo de 50 anos para sua consolidação, embora alimente esperanças de que será necessário um período menor.Morales fala sobre uma união política, econômica e social de países, apoiada sobre a colaboração e solidariedade. Neste momento, existem na América Latina duas uniões periféricas e econômicas de países: a Comunidade Andina de Nações, da qual participam Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, enquanto, a Venezuela se retirou, recentemente, em sinal de protesto contra os acordos de livre comércio formalizados entre a Colômbia e o Peru com os EUA.A Venezuela se integrou ao Mercosul, do qual já participam Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, enquanto o Chile, embora uma das economias mais fortes da região, não participa de nenhum dos agrupamentos.Já Chávez, que até agora não conseguiu se entender com seus novos parceiros, pediu a dissolução tanto da Comunidade Andina de Nações, quanto do Mercosul, e a criação de um novo bloco, que seria a Alba, de sua inspiração.Os esforços para criação de um novo bloco latino-americano de países constitui um sério golpe contra a política de Washington, que já tentou implantar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas fracassou, depois do fiasco da Reunião de Cúpula realizada em Mar del Plata, na Argentina, ano passado.Até onde poderão chegar as mudanças na América Latina ninguém poderá prever. Assim como ninguém poderá afirmar - com absoluta certeza - se o socialismo do Século XXI é uma nova experiência de mudanças sociais ou uma consensual guinada à esquerda.Aconteça o que acontecer, o fato é que um novo ambiente está se conformando na América Latina. E não é pouco, se se considerar que um continente que conheceu ditaduras como as de Pinochet, Banzer, Videla, Stroesner e de vários outros de fisionomias criminais de menor expressão e prontuários idem busca saídas à esquerda com governos eleitos com esmagadoras maiorias, os quais priorizam em suas agendas temas como as desigualdades políticas, econômicas e sociais, os recursos naturais dos países e a cooperação e solidariedade periférica.E, sob este ponto-de-vista, seguramente alguém poderá se referir a "dividendos democráticos", conforme escreveu, recentemente, a Economist, se levar em consideração que, até recentemente, o tom das evoluções nos países da região "saía dos canos das armas de repressão".

terça-feira, junho 21, 2011

TEXTO PARA 7ª SÉRIE - ISAAC NEWTON - Trabalho

Formal, informal, infantil e desemprego

Anselmo Lázaro Branco*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
A.C.Olivieri/Página 3
Ninho de joão de barro em galho de árvore
O pássaro joão-de-barro constrói o seu ninho com pequenos galhos de árvores, fibras e terra. Essa construção leva, aproximadamente, sete dias. Essa atividade, no entanto, não é considerada trabalho.

trabalho é uma realização dos seres humanos. Ele é fruto de uma reflexão, é algo pré-estabelecido e planejado.O homem, ao longo da história, sempre foi se aproveitando dos conhecimentos e dos instrumentos que outros homens, que viveram antes dele, haviam desenvolvido. Nesse sentindo, os homens vão inovando, vão acrescentando conhecimentos sobre aqueles herdados do passado.Ocorre, assim, um acúmulo de conhecimento que possibilita, entre outras coisas, um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. Já os outros animais vão repetindo o que é feito; os pássaros da espécie joão-de-barro, no decorrer do tempo, não mudam a maneira de fazer a sua casa.Ao trabalharem, as pessoas desenvolvem a sua capacidade de agir, de criar e de transformar. Estão colocando em prática habilidades, experiências, conhecimentos que possuem, mas, ao mesmo tempo, estão tentando obter o que necessitam para a sua sobrevivência e das pessoas que delas dependem - por exemplo, filhos ou pais. Ao produzirem, prestarem um serviço, comercializarem, realizarem uma atividade criativa, as pessoas estão, geralmente, contribuindo para o bem da sociedade.

As relações no trabalho

O trabalho determina relações entre a sociedade e a natureza, e também possibilita o estabelecimento de relações entre as pessoas. Por meio do trabalho, as pessoas: agem sobre a natureza, transformando-a; atuam nas paisagens humanizadas (artificiais ou culturais), modificando-as; intervêm, enfim, no próprio espaço geográfico, desenvolvendo diversos tipos de atividades, que criam e recriam esse mesmo espaço.No dizer do geógrafo Milton Santos, "viver, para o homem, é produzir espaço. Como o homem não vive sem trabalho, o processo de vida é um processo de criação do espaço geográfico".As relações de trabalho são um aspecto importante das relações que existem no interior das sociedades. Na maior parte das sociedades no mundo atualmente, as pessoas desempenham funções no processo produtivo (indústria, agropecuária etc), na prestação de serviços (administração pública, saúde, educação, transporte, banco etc) e no comércio, enfim, em alguma atividade econômica.

Divisão de tarefas

Há, em praticamente todas as atividades, uma divisão de tarefas. Na atividade produtiva em empresas industriais, por exemplo, sobretudo nas grandes, há uma quantidade grande de funções, tais como os operários, os supervisores do processo de produção, os funcionários do recebimento de matérias-primas, os vendedores e demais empregados que trabalham no departamento de vendas ou comercial, os funcionários dos setores administrativo-financeiro, de segurança do trabalho, do controle de qualidade, do desenvolvimento de produtos etc.Em todos os setores existem os diferentes níveis hierárquicos ou funções, sendo que os diretores formam o grupo dos dirigentes, juntamente com os que ocupam cargos de presidência. Em alguns casos, os presidentes são os donos das empresas. Mas no caso de muitos grupos empresariais de grande porte, a propriedade da empresa encontra-se nas mãos de várias pessoas que, muitas vezes, não têm uma participação no dia a dia da empresa, comparecendo apenas às reuniões em que são tomadas decisões mais importantes.

Salário e lucro

O papel ocupado ou a função que a pessoa desempenha em alguma atividade econômica lhe confere uma remuneração. No caso dos empregados de uma empresa, por exemplo, essa remuneração pode ser chamada de salário ou de vencimentos, sendo esta muito utilizada para se referir aos rendimentos dos que trabalham em órgãos do governo.No caso dos donos das empresas, chamados de empresários, essa remuneração é o lucro. Os donos têm poder para determinar o futuro da empresa. Esse poder, chamado de poder econômico, será tanto maior quanto maior for a empresa. Os empresários, juntamente com seus diretores e presidentes, determinam, inclusive se vão investir o lucro nela mesma ou se vão aplicar em outras formas de investimento. Eles têm poder para contratar ou demitir funcionários, decisão, inclusive, que muitos acabam tomando quando seus lucros diminuem ou não aumentam, por algum motivo.

Desigualdades sociais

Os rendimentos de uma pessoa que está participando de alguma atividade econômica deveriam garantir a sua sobrevivência e a das pessoas que dela dependem em condições dignas. No entanto, sabemos que não é isso o que acontece no caso de milhões de pessoas no Brasil e bilhões de pessoas em todo o mundo. São os rendimentos de uma pessoa que vão determinar a sua situação em termos de condições de vida - alimentação, saúde, moradia, educação, transporte, lazer etc.A partir da segunda metade do século 19, com o desenvolvimento e a expansão da atividade industrial em países da Europa e nos EUA, e a formação de grandes empresas industriais, os empregados passaram a se mobilizar para conquistarem melhorias nas condições de trabalho, como redução nas longas jornadas que chegavam até 16 horas por dia, descanso semanal remunerado, férias, melhoria salarial etc.

Lutas dos trabalhadores

Essas conquistas sempre foram difíceis e alcançadas aos poucos, uma vez que o empresário, de modo geral, sempre procurou defender a manutenção ou a ampliação de seus lucros. Para se organizarem, terem uma representação perante os empresários e lutarem por seus direitos, os trabalhadores organizaram-se em sindicatos. Muitas vezes, os sindicatos tiveram de recorrer às greves, ou seja, à paralisação das atividades para pressionarem os proprietários das empresas.Com as lutas dos trabalhadores, desde o século 19, gradativamente e não de forma padronizada (mais ou menos igual) para todos os países, foram oficializados por lei uma série de direitos e garantias em relação ao trabalho. Estruturou-se, assim, uma legislação trabalhista, que não é algo definitivo, mesmo nos países de melhor situação socioeconômica do mundo, como Alemanha, França, Itália, entre outros.Conforme interesses de empresários e da pressão que exercem sobre os políticos (deputados, senadores, presidente), podem ocorrer mudanças nas leis trabalhistas, que muitos economistas entendem que são necessárias para aumentar o número de empregos, enquanto para outros apenas favorecem os empresários e trazem prejuízo para os trabalhadores.

Trabalho formal, trabalho informal e desemprego

Os trabalhadores que têm registro em carteira e seus direitos trabalhistas garantidos, recolhendo uma taxa para a aposentadoria (contribuição ao INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social), ou as pessoas que, mesmo trabalhando por conta própria (sem que estejam empregadas em empresas ou órgãos do governo), recolhem determinadas taxas, desenvolvem atividades que são chamadas de formais, ou seja, estão de acordo com uma série de leis que se referem ao trabalho e às atividades econômicas. Os trabalhadores que não estão nessas situações são chamados de informais.Atualmente, no Brasil, aproximadamente metade dos trabalhadores desenvolve atividades informais, não tendo, portanto, direitos trabalhistas garantidos nem condições de receber a aposentadoria (um rendimento) no futuro, quando estiverem idosos e, muitas vezes, sem condições físicas de realizarem atividades econômicas.

Trabalho escravo e infantil

Outros problemas graves no Brasil e em muitos países do mundo, no que se refere ao trabalho, são: o trabalho escravo (cerca de 27 milhões de pessoas no mundo estão nessas condições), o trabalho infantil e o grande número de pessoas que estão à procura de um emprego, mas não conseguem - tratam-se dos desempregados (são aproximadamente 185 milhões em todo o mundo).Para finalizar, é importante ressaltar que a importância dada ao trabalho, além das idéias a seu respeito, nem sempre foram as mesmas ao longo da história e não são as mesmas em todas as culturas, em todos os povos. Assim sendo, o que aqui expusemos é uma situação geral que se verifica na maior parte das sociedades que há no mundo.
* Anselmo Lázaro Branco é geógrafo, professor do colégio Catamarã e autor dos livros "Viver e aprender História e Geografia", "Geografia Homem & Espaço, Geografia Geral e do Brasil e Geografia Território e Sociedade"


Quase 90% dos jovens de 16 e 17 anos que estavam trabalhando como empregados ou trabalhadores domésticos em 2007 não tinham carteira de trabalho assinada, sendo que 46,6% deles cumpriram jornada de 40 horas semanais ou mais. Na comparação com 2006, o número de trabalhadores formais caiu de 21% para 12,6%, uma redução de 8,4 ponto percentual. Os dados fazem parte da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) divulgada nesta quinta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e engordam as estatísticas da exploração infantil no Brasil.


A legislação brasileira proíbe qualquer tipo de trabalho para menores de 14 anos. O trabalho a partir dos 14 anos é permitido apenas na condição de aprendiz, em atividade relacionada à qualificação profissional. E acima dos 16 anos o trabalho é autorizado desde que não seja no período da noite, em condição de perigo ou insalubridade e desde que não atrapalhe a jornada escolar. No entanto, se o jovem com mais de 16 anos não tiver carteira assinada ou estiver em situação precária, ele entra nos números de trabalho infantil e ilegal. Leia tambémTrabalho infantil cai pouco e ainda há 1,2 milhão de crianças exploradas.


Portanto, apesar do IBGE apresentar os dados relativos ao trabalho infantil dentro da faixa de 5 a 17 anos, é preciso considerá-los dentro das divisões por grupos de idade e situá-los nas determinações da legislação brasileira.


A PNAD aponta, por exemplo, uma queda na proporção de trabalhadores de 5 a 17 anos (de 11,5% para 10,8%) na comparação entre 2006 e 2007, o que é um indicador positivo da situação da exploração infantil no Brasil. Mas na faixa dos 16 a 17 anos não houve qualquer aumento no número de ocupados e isso demonstra que cerca de 65% dos jovens prontos para começar a carreira profissional não estão trabalhando.


O gerente do Programa Internacional para Erradicação do Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Renato Mendes, ressalta que "se o adolescente tem idade para trabalhar e está apto para isso, é dever do Estado promover a inserção dele no mercado de trabalho de forma protegida". O que não vem acontecendo de forma eficaz. InfográficosVeja a evolução dos principais indicadores da Pnad nos últimos anos Os domicílios brasileiros, a infra-estrutura básica e os bens de consumo.


Além de forte presença de jovens de 14 a 17 anos no mercado informal, vale destacar que nesta faixa etária a diferença entre ocupados (74,9%) e não-ocupados (88,9%) que vão à escola é mais significativa que entre os mais novos e evidencia o reflexo negativo do trabalho abusivo na educação. Como sociedade pode se organizar para acabar com o trabalho infantil?Apesar da queda de 4,5% no número de trabalhadores infantis, ainda 1,2 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos são vítimas de exploração no Brasil, segundo o levantamendo do Pnad para o ano de 2007.

O jovem trabalhadorDos sete milhões de adolescentes brasileiros com idade para ser aprendiz, apenas 18% estava trabalhando, sendo cerca de 40% deles em atividades agrícolas e/ou sem remuneração. E 34,5% deles trabalhava de 15 a 24 horas na semana. A maioria era de jovens negros ou pardos (60,9%), do sexo masculino (67,7%) e que vinham de famílias que ganhavam em média cerca de R$ 275 per capita por mês.


Já entre os mais velhos, a predominância é de jovens morando em áreas urbanas (80,9%) e trabalhando em atividades não-agrícolas (72,9%). A proporção de trabalho não-remunerado cai para 21,3% na faixa de 16 e 17 anos e a renda familiar sobe para em média R$ 352 per capita por mês. A média de horas trabalhadas na semana passa de 40 horas ou mais. E os negros e pardos (55,4%) do sexo masculino (63,5%) ainda eram maioria, mas em uma proporção menor.


Texto - Fabiana Uchinaka


segunda-feira, junho 06, 2011

Puyehue, na Cordilheira dos Andes, entrou em erupção no sábado (4).


Companhias aéreas que vendem passagens com destino à região turística de Bariloche estão suspendendo voos nesta segunda-feira (6) devido à erupção do vulcão chileno Puyehue, cujas cinzas estão se espalhando pelo sul da Argentina.
Em comunicado divulgado na tarde desta segunda, a LAN Argentina informou que está suspendendo todos os voos com destino a San Carlos de Bariloche e Neuquén após um comunicado emitido pelas autoridades aeroportuárias locais, que decidiram fechar o aeroporto Teniente Luis Candelaria desde o domingo.
"Com relação a Neuquén e Río Gallegos, embora os aeroportos dessas duas cidades estejam operantes, a companhia, após analisar as informações oficiais decidiu não operar voos para essas localidades, até que as condições estejam favoráveis e com total segurança", informa a nota.
Os passageiros com voos marcados para esta segunda (6), segundo a LAN, poderão trocar a data do voo sem pagamento de multa, para início da viagem com prazo de 30 dias da data original; trocar a rota com pagamento da diferença tarifária ou ainda devolver a passagem.
Os voos com destino ao sul argentino partem de Buenos Aires. A empresa informa ainda que as demais operações para todos os destinos, inclusive do Chile, estão normais.
Mais informações sobre os voos podem ser obtidas acessando o site da companhia (www.lan.com/cgi-bin/info_vuelos/info_vuelos.cgi) ou pelo telefone 0300 788 0045.
Também na tarde desta segunda, a Aerolíneas Argentinas e sua subsidiária Austral informaram em nota que suspenderam até o próximo domingo (12) todos os voos com destino à região patagônica por questões de segurança.
Outras localidades como Rio Gallegos, El Calafate e Ushuaia, no sul argentino, estão com voos suspensos até a quinta-feira (9).
Pelo mesmo motivo, as companhias decidiram suspender voos noturnos com destino a Santiago e Mendonça até a quinta-feira.
Segundo a nota, os passageiros afetados poderão deixar suas passagens em aberto por até um ano da data da emissão podendo realizar a viagem sem nenhuma multa.
Mais informações podem ser obtidas no site da companhia: www.aerolineas.com.
Emergência
O prefeito de Bariloche, Marcelo Cascón, confirmou a suspensão das aulas nos colégios e outras atividades, enquanto a baixa visibilidade obrigou a manter a restrição ao trânsito pela estrada que liga San Martín dos Andes.

O "comitê de emergência" mantém a recomendação às pessoas para que permaneçam em suas casas e economizem água potável, apesar de as cinzas não terem poluído os aquíferos, indicou o prefeito em entrevista a uma rádio de Buenos Aires.

Promoção PB VIBE CREATIONS!!! SEMANA DOS NAMORADOS!!!

domingo, junho 05, 2011

Pensamento do Dia!!!

"Educai as crianças e não será preciso punir os adultos" 
(Pitágoras)

Dia Internacional do Meio Ambiente!!!

quarta-feira, junho 01, 2011

TEXTO PARA 3º ANO - BRASIL CENTRAL - Geografia – Recursos Naturais

Geografia  – Recursos Naturais
Hoje iremos falar um pouco sobre os recursos naturais, esta matéria você encontra na apostila de Geografia do Ensino Fundamental, logo abaixo teste seus conhecimentos. Estude e faça o exercício!
Os Recursos Naturais
Ao utilizar elementos da natureza, criando e transformando o espaço geográfico, esses elementos passam a constituir recursos, possíveis de serem utilizados pelo homem – se o homem utiliza desses recursos para transformá-los em produtos, esses são chamados de matérias-primas.
Como a natureza é diversificada, constituída de diversos elementos, temos vários tipos de recursos.
O uso intenso de alguns deles, ou seu uso inadequado, pode comprometer sua utilidade (esgotar esse recurso) ou prejudicar o meio-ambiente.
Os tipos de recursos naturais
Recursos Naturais são todos os elementos da natureza utilizados pelo homem. A água, o solo, os minérios, as florestas são alguns dos recursos naturais que o homem pode utilizar.
Os recursos naturais são classificados em dois tipos: recursos naturais renováveis, e recursos naturais não-renováveis.
Os recursos naturais renováveis são aqueles que, uma vez utilizados pelo homem, podem ser repostos. Por exemplo: a vegetação (através de reflorestamento) as águas, o ar, o solo (através de adubos, da irrigação).
Os recursos naturais não renováveis são aqueles que, uma vez utilizados pelo homem, não podem ser repostos. Por exemplo: o petróleo, o carvão, o ferro, o manganês, etc. ; Uma vez utilizado o petróleo, por exemplo, não é possível repor ou reciclá-lo (a natureza leva séculos para produzi-lo).
O fato de um recurso ser renovável não significa, contudo, que ele deva ser utilizado sem cuidados ou que ele seja inesgotável. Se houver mau uso ou descuido com a conservação desse recurso ele pode se perder. A água, por exemplo, que existe em abundância na natureza, se for poluída em excesso, torna-se inutilizável. Uma floresta diversificada, se substituída por árvores de uma única espécie (eucaliptos, por exemplo), faz desaparecer vários animais que dependam da diversidade de plantas.
Dessa forma, mesmo os recursos renováveis só devem ser utilizados com métodos racionais e com a preocupação com a sua conservação.
A conservação dos recursos
poluicao
A conservação dos recursos naturais tem como preocupação a utilização adequada dos recursos que o homem transforma ou consome. A conservação envolve a utilização racional dos recursos, e não apenas guardá-los.

A natureza deve ser utilizada para atender as necessidades do presente, para a satisfação dos seres humanos, mas levando em conta o futuro, as novas gerações que virão, a quem temos a obrigação de deixar um ambiente sadio.
Foi a partir da degradação do meio ambiente pelo homem, sobretudo no século XX, com a extinção de espécies animais e vegetais, que surgiu a preocupação com a conservação da natureza. Até quando teremos florestas? Quando se esgotarão o petróleo e o carvão? As baleias sobreviverão à matança desenfreada? O conservacionismo procura responder a essas perguntas, preocupando-se em aliar um aproveitamento dos recursos com sua conservação.
Além da conservação, entretanto, há casos em que é necessário uma atitude mais efetiva de proteção ao meio ambiente. É necessária a preservação isto é, deixar intactos certos ambientes, por sua riqueza única. Daí se falar em patrimônio cultural-ecológico da humanidade. São lugares que possuem valor inestimável, como o Pantanal mato-grossense (que possui a fauna mais rica da América), a Floresta Amazônica, a Floresta do Congo, a Antártida, as pirâmides do Egito, a cidade de Jerusalém (cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos), etc.
Para que as futuras gerações tenham conhecimento da riqueza que a natureza criou é necessário preservar esses ambientes contra a ganância e ambição da exploração a qualquer custo.
A Terra é nossa morada, nossa “casa”. Deixá-la habitável da melhor maneira é nossa obrigação.