terça-feira, março 14, 2017

Materiais Complementares sobre Ordem Mundiais - Guerra Fria e Nova Ordem Mundial

Resumão Ordens Mundiais




Ideologia, Quadrinhos, Games, Street Fighter e Guerra Fria


O começo do fim


Da URSS à Rússia.


Vídeo sobre o fim da URSS (VALE PELA INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA - Alguns erros conceituais são apresentados)



RESUMÃO - ORDENS MUNDIAIS


RESUMÃO

10/03/2017
Ordens Mundiais

Breve resumo do conteúdo abordado em sala.


As ordens Mundiais


RESUMÃO

Ordens Mundiais
“Nada é constante neste mundo a não ser a inconstância.”
Jonathan Swift


COMO ERA A DISPUTA NA GUERRA FRIA
+ Corrida armamentista: disputa para ver quem conseguiria ter a melhor e maior produção bélica mundial.
+ Corrida espacial: na briga para ver quem chegava ao espaço primeiro, os soviéticos levaram a melhor com Yuri Alekseievitch Gagarin em 1961.
+ Disputa por áreas de influência: espaços conflituosos eram logo divididos também em relação aos apoios. Quando EUA apoiava certo grupo ou país, a URSS apoiava seu oponente.
Durante a Segunda Guerra Mundial foram realizadas diversas conferências cuja pauta era assuntos de guerra e a economia dos países participantes, bem como a dos demais países no mundo, além do restabelecimento da paz. Dessas conferências, as duas últimas, entre as listadas abaixo, foram as responsáveis pelo início de um novo ciclo de divergências e tensões em todo o mundo, mantendo uma paz estratégica que foi denominada de Guerra Fria.

Cronologicamente são elas:

- Conferência de Casablanca - 14 a 24 de Janeiro de 1943.
- Conferência de Teerã - 28 de Novembro a 1 de Dezembro de 1943.
- Conferência de Bretton Woods - 1 de julho de 1944 – 22 de julho de 1944.
- Conferência de Yalta - 4 a 11 de Fevereiro de 1945.

- Conferência de Potsdam - 17 de Julho a 2 de Agosto de 1945.

GUERRA FRIA

Após o término da 2ª Guerra Mundial, o mundo se viu dividido em dois blocos opostos que haviam sobrevivido ao conflito. De um lado estavam os EUA, defensores do capitalismo, de outro estava a URSS, defensora do socialismo. Dentro da disputa destes dois opostos podemos compreender o que se passou na história desde 1945 até 1991 (ano da desagregação da União Soviética).

· Ordem Bipolar – Por serem superpotências econômicas e militares, EUA e URSS influenciavam outras nações, que a eles se aliaram na formação dos dois grandes blocos que polarizaram a economia e a sociedade do pós - segunda guerra. Essa situação perdurou até a década de 1990.
· Muro de Berlim – Em 1949, como consequência da bipolarização, os países da Europa alinharam-se em dois blocos: a Europa Ocidental capitalista, sob a influência dos EUA, e a Europa Oriental socialista, sob a influência da URSS e em 1961 foi construído o muro de Berlim. A partir de 1990, praticamente todos os países do bloco socialista passaram a adotar o capitalismo. Atualmente, praticamente somente China, Cuba e Coréia do Norte continuam socialistas, embora incluam em sua economia algumas características do capitalismo. Com o fim da União Soviética em 1991 e a consequente dissolução do socialismo, os Estados Unidos viram-se transformados em “vencedores” da Guerra Fria, assumindo o papel de grande potência mundial. Porém, apesar do grande poderio norte-americano, Japão e Alemanha (reunificada) também apareciam como polos da economia mundial, formando uma nova era multipolar, em detrimento da bipolaridade outrora existente. Desta forma, temos o mundo sob a influência de três grandes polos, os EUA, o Japão e a Europa, representada pela União Europeia, tendo Alemanha, França e Reino Unido como sustentáculos econômicos.

O FIM DA GUERRA FRIA

Muito se discute sobre uma possível data que marque o fim da Guerra Fria, o fato é que uma série de acontecimentos desencadearam a dissolução do conflito Leste x Oeste. A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas. Os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte. Veremos a seguir alguns fatores responsáveis pelo fim da bipolaridade mundial. A crise da URSS A economia soviética teve um considerável sucesso no período em que o mundo se guiava pelos padrões tecnológicos estabelecidos pela II Revolução Industrial (industrias de siderurgia, química, petrolífera, aeronáutica, naval, etc). Isto colocou a URSS em igualdade com as economias capitalistas e em alguns momentos à frente, como o lançamento do primeiro satélite Sputnik I, em 1957, e o primeiro homem em órbita ao redor da Terra, Iúri Gagárin, em 1961. Guiados pelo padrão tecnológico da II Revolução Industrial, a URSS priorizou indústrias de bens de produção e de capital, com grande prioridade para a indústria bélica. Isto porém virou um problema na medida em que as indústrias de bens de produção não possuíam os devidos investimentos, gerando um grande descompasso econômico, com produções excessivas de ferro e aço de um lado, e a carência de eletrodomésticos e automóveis de outro. O quadro crítico acentua-se a partir da década de 1970, com a chamada Terceira Revolução Industrial, que demanda altos investimentos em pesquisa e tecnologia favorecendo o crescimento de setores como a informática e a robótica (estes exigem uma economia mais dinâmica, baseada numa economia de mercado).

A URSS começa a se defasar econômica e tecnologicamente em meados de 1970, sendo reconhecida apenas por seu poderio militar, seu arsenal nuclear e sua capacidade de destruição em massa. Graças a seu baixo dinamismo econômico, sua produtividade industrial não acompanhava nem de longe os avanços dos países capitalistas desenvolvidos mais competitivos. Seu parque industrial, sucateado, era incapaz de produzir bens de consumo em quantidade e qualidade suficientes para abastecer a própria população. As filas intermináveis eram parte do cotidiano dos soviéticos e o descontentamento se generalizava. A situação agravasse nos anos 80, com o governo norte-americano de Ronald Reagan, que aumentou os orçamentos com defesa. Como a União Soviética não tinha mais condições de continuar com a corrida armamentista, os acordos de paz entre as duas superpotências tornaram-se necessários. Foi com essa missão que Gorbachev chegou, em 1985, à liderança da URSS. A era Gorbachev (1985-1991) e o fim da União Soviética Sua plataforma política defendia a necessidade de reformar a União Soviética, para que ela se adequasse à realidade mundial. Em seu governo, uma nova geração de políticos se firmou, e impulsionou a dinâmica de reformas na URSS e a aproximação diplomática com o mundo ocidental. Dentre as reformas propostas por Gorbachev, temos a Perestroika e a Glasnost: - Perestroika (reestruturação): série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbatchov, não seria necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação deste seria inevitável. Para tanto, ele passou a diminuir o orçamento militar da União Soviética, o que implicou em diminuição de armamentos. Além disso, era preciso acabar com a ditadura, desmontando o aparelho repressor erigido na era Stálin. - Glasnost (transparência) : visava a "liberdade de expressão" à imprensa soviética e a transparência do governo para a população, permitindo o pluripartidarismo e retirando a forte censura que o governo comunista impunha. Esta abertura política desencadeou uma série de movimentos separatistas na URSS, levando à sua completa fragmentação política. Gorbachev sofreu um golpe de Estado, liderado pelos comunistas conservadores, porém, o golpe fracassou e Mikhail foi reconduzido ao poder com o apoio de Boris Yeltsin. No entanto, o poder central se enfraqueceu, visto que as repúblicas – uma a uma – proclamavam sua independência política. A cartada final ocorreu em dezembro de 1991, quando a própria Rússia, sustentáculo da União Soviética, proclamou a sua independência. Com o fim da União Soviética um novo acordo foi firmado (acordo de Minsk), originando a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), composto pelas antigas repúblicas soviéticas, exceto Estônia, Letônia e Lituânia. Boris Yeltsin foi eleito o novo presidente, renunciando em dezembro de 1999. Em seu lugar, Vladimir Putin foi eleito em março de 2000.

A Nova Ordem Mundial

A Nova Ordem Mundial resultou do colapso da URSS que extinguiu a ordem da Guerra Fria. Se até a década de 1940 a URSS apresentou grande crescimento econômico, esse quadro não se manteve no pós-Guerra. O ritmo de crescimento econômico diminuiu implicando problemas até para a manutenção da qualidade de vida da população. São fatores da crise da economia soviética:

• Burocratização da economia. A atividade econômica soviética era controlada de forma rígida pelo governo. Esses dispositivos de controle estatal funcionaram enquanto a economia, na primeira metade do século XX, era mais simples. A necessidade de decisões econômicas mais rápidas no cenário dos anos 70 fez com que a economia soviética, emperrada em regras rigorosas e restritivas, reduzisse seu crescimento. Além disso, o estatismo econômico reduziu a iniciativa por inovações e ganho de produtividade das pessoas e empresas.
• Gastos na Guerra Fria. A Corrida Espacial e a Corrida Armamentista geravam gastos elevados que não davam retorno econômico. Esses gastos drenavam os recursos que poderiam ser usados na produção.
• Nacionalismo. A URSS jamais conseguiu anular os sentimentos nacionais das diferentes repúblicas assim como as rivalidades entre elas.

A crise econômica que avizinhava a URSS foi mascarada nos anos 70 devido aos preços elevados do petróleo no mercado internacional. Assim, com as exportações de petróleo, o país tinha recursos para sustentar a atividade econômica, os investimentos em armas e um bom padrão de vida para a população. Isso mudou nos anos 80. A queda dos preços do petróleo nos anos 80 evidenciou a crise da economia soviética e a necessidade de reformas. Foi implementada a Perestroika. Com a reestruturação econômica, o governo objetivava descentralizar as decisões dando maior autonomia para as empresas serem geridas livres da burocracia do governo. Além disso, o governo deveria diminuir os gastos militares para incentivar a produção. Para implementar a reestruturação econômica era necessário apoio político a ser conseguido dentro do próprio partido. Setores progressistas do Partido Comunista seriam mais facilmente atraídos para as reformas econômicas mediante um processo mais amplo que envolvesse abertura política: a Glasnost. A Glasnost também serviria para minar o poder dos opositores da abertura econômica. Afinal, era através dos dispositivos de censura e repressão que a “Linha Dura” do partido Comunista atuava. Com o relaxamento dessas instituições, os conservadores perderiam capacidade de ação política. Ao realizar a abertura política o Estado soviético evidenciou fraqueza diante de setores políticos historicamente reprimidos: políticos liberais e nacionalistas. O aumento das tensões culminou com a extinção da URSS em dezembro de 1991 e a formação da CEI (Comunidade de Estados Independentes). Enquanto a URSS agonizava, seu poder sobre sua esfera de influência reduzia evidenciando o esgotamento da geopolítica da Guerra Fria. Em 1989 o Muro de Berlim era derrubado; em 1990 era extinto o COMECON; em 1991, às vésperas do fim da União Soviética, terminava o Pacto de Varsóvia. A geopolítica da Guerra Fria, iniciada no pós-Guerra, chegava ao fim com a extinção de um de seus polos de poder. Era iniciada uma nova etapa da geopolítica mundial: a Nova Ordem Mundial.

Nova Ordem Mundial: novos polos de poder

As características dos polos de poder mudaram com o fim da Guerra Fria. Se EUA e URSS rivalizavam e mantinham suas regiões de influência mediante poder militar, com armas convencionais e de destruição em massa, outros aspectos garantiriam poder para os países ou grupos de países na Nova Ordem Mundial.

• Tríade – anos 90. Com o fim do socialismo soviético o capitalismo (na sua vertente neoliberal) tornou-se o sistema econômico hegemônico mundial. Assim, as maiores economias do mundo caracterizavam-se como países de maior influência no Sistema Internacional. Seriam eles: EUA (maior economia do mundo), Japão (20 maior economia mundial nos anos 90) e União Européia que congregava países como Alemanha (unificada), França e Reino Unido.
• Poder Unimultipolar – 2001. No ano de 2001 os EUA foram atacados em seu território nos episódios de 11 de setembro. A reação americana envolveu o lançamento de um novo modelo geopolítico – a Doutrina Bush – que dava ao país o direito de pressionar ou atacar “preventivamente” os países que potencialmente atentassem contra suas necessidades ou sua segurança. Mesmo com a oposição de potencias mundiais como Rússia, França e Alemanha, os EUA conseguiram viabilizar ações como as guerras do Afeganistão e, principalmente, do Iraque. Para alguns analistas, esse fato evidenciava a formação de um mundo unipolar no qual os Estados Unidos seriam potência hegemônica pois aliavam poder militar (convencional e nuclear) e econômico.

• Multipolaridade – 2008. A crise econômica mundial de 2008 fragilizou a economia dos países centrais aumentando a inserção de países semi-periféricos no Sistema Internacional. Grandes economias como a do Brasil, da China, da Índia e da Rússia fizeram desses países importantes jogadores do Sistema Internacional. A atuação desses países é ainda mais destacada em conjuntos como BRIC, MERCOSUL e G-20. A Nova Ordem Mundial é palco da intensificação do processo de globalização e da difusão de um meio tecnificado por recursos de informática e telecomunicações. É importante o entendimento do processo de globalização, da produção do meio tecnificado, das suas relações e consequências.

quarta-feira, março 08, 2017

Geografia Crítica - Yves Lacoste

A Geografia de Yves Lacoste

 Yves Lacoste, geógrafo e geopolítico francês é considerado como um dos fundadores da geografia moderna, em 1976 escreveu o livro A geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra, título que depois foi substituído por Geografia: Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra, pois os leitores estavam assimilando a geografia como uma ciência de estratégias de guerra apenas, sendo o objetivo do autor mostrar que elaborar estratégias militares é a função mais antiga da geografia cientifica. Em seu livro o autor faz duras críticas à velha geografia, afirmando que ela sempre existiu a serviço da dominação, do poder e afirma que a geopolítica, “não é a caricatura e nem uma pseudogeografia, ela seria o âmago da geografia, a sua verdade mais profunda e recôndita”. (Lacoste, 1993, p.2), sendo uma das suas maiores preocupações a manipulação do individuo através do ensino da geografia que era totalmente despolitizado e limitava a visão a cerca das potencialidades dessa disciplina. Diante da ameaça que a geografia, serve para fazer a guerra, alguns conteúdos foram retirados, dando a está um caráter exclusivamente enciclopédico não permitindo no individuo reflexões sociais, pois seu objetivo era formar pessoas obedientes ao sistema, com uma visão de mundo limitada e fáceis de serem manipulados. Em seu livro Lacoste sustenta a idéia de que a geografia subdivide-se em duas formas, Geografia dos Estados Maiores e a Geografia dos Professores. A Geografia dos Estados Maiores reuni um conjunto de representações e conhecimentos do espaço utilizado pelos detentores de poder. A Geografia dos professores é mais recente, criada com o objetivo de furtar da geografia a sua importância estrategista de pensar o espaço, extraindo a razão de ser dessa disciplina, como afirmar Lacoste, “... a de melhor compreender o mundo para transformá-lo, a de pensar o espaço para que nele se possa lutar de forma mais eficaz”. (1993, p.3) A partir dos vários questionamentos levantados por Lacoste no inicio do seu livro, como: “Para que serve a geografia? Qual é a sua função social? Possui ela alguma outra utilidade que não seja a de dar aulas de Geografia? Ela é ou não é ciência?“, podemos refletir que a geografia é uma ciência estrategista que nos fornece conhecimentos variados sobre o espaço e serve em primeiro lugar para promover a paz, por que não?

 Bibliografia: LACOSTE, Yves. A geografia, isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Tradução Maria Cecília França. Campinas: Papirus, 1993
 Fonte: http://flaviaribeirogeografia.blogspot.com.br/2012/04/geografia-de-yves-lacoste.html?m=1

domingo, fevereiro 19, 2017

Ciências Humanas X Ciências Naturais

Ciências Humanas X Ciências Naturais

As ciências sociais caracterizam-se pela pesquisa qualitativa, ou por sua interpretação da realidade social, de acontecimentos humanos históricos que estabelecem relações entre si, constituindo assim, uma teia de interações. As pesquisas na área da Sociologia durante um determinado tempo, estiveram relegadas ao campo das ciências naturais, onde procurava-se fazer dela uma ciência exata como a Biologia e a Física, na qual a subjetividade do pesquisador pudesse dar espaço à neutralidade acadêmica, onde fosse possível isolar categorias de fenômenos, uma exposição de qualquer doutrina à ciência. Esta forma de se compreender a pesquisa em ciências sociais é o que podemos chamar de Sociologia científica, baseada nas premissas do positivismo de Augusto Conte, seu fundador, corrente que tem suas bases noIdealismo Filosófico ou Idealismo Subjetivo, cujo início está nos séculos XVI, XVII e XVII, com Bacon, Hobbes e Hume.

 O conhecimento científico para o positivismo parte do real, dos fatos tal como se apresentam. Assim, o conhecimento para esta linha é sempre certo, não admitindo conjecturas, tendo um grau forte de precisão e desvinculando-se do conhecimento especulativo. É também Augusto Conte o fundador do que para a época - século XIX -, era considerada uma nova ciência - a Sociologia -, a qual compreende a sociedade enquanto um sistema governado por leis que são imutáveis em si mesmas e que são desta forma independentes das vontades individuais ou coletivas. A sociologia positivista é também uma concepção identificável na Sociologia de Durkheim, onde este busca de forma efetiva a neutralidade do pesquisador, considerando os fatos sociais como meras coisas. No entanto, Wilhelm Dilthey é um dos filósofos neokantianos que reagiram ao cientificismo, para ele,“enquanto as ciências naturais tratam apenas do mundo exterior, as sociais têm que levar em conta as relações entre o mundo interior, refletido na cultura, e o exterior” (DILTHEY apud NOGUEIRA, 1979, p. 12).

A ciência é muito mais do que objetividade ou subjetividade, a questão é que em ciências naturais e sociais sujeito e objeto não são iguais, o que nos permite compreender que para o pesquisador faz-se necessário um posicionamento contrário a uma explicação“prescritiva”, “normativa” e reguladora, características próprias da ideologia, o que serve de norma para uma, não é coerente para a outra. Por exemplo, as ciências naturais explicam o fenômeno, as ciências sociais por sua vez, além de explicá-los, os compreendem, pois isto é a expressão de uma necessidade, para se chegar ao real significado do fenômeno estudado. Para tal, há que se situar diante das ideologias para se evitar o mascaramento da realidade e o ocultamento do real significado do fenômeno.

Fonte: http://labdeensino.blogspot.com.br/p/exemplo-de-pesquisa-cientifica-na-area.html 

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

DICAS DE LEITURA - CAPITALISMO - DIT - GLOBALIZAÇÃO

Boa noite meninos CED Sigma - Asa Sul. Segue material complementar sobre os assuntos abordados em sala.

(Resumão sobre Capitalismo, Industrialização e Globalização) 


Leituras complementares de reforço.

(Termos da Globalização)


(Histórico do Trabalho)

quinta-feira, setembro 08, 2016

Crônicas - Caminhada pela liberdade?

Caminhada pela liberdade? 

 Por Flávio Bueno 

O que diriam Gandhi, Mandela e M.L. King do atual momento das relações humanas no planeta? E se essa realidade os fizessem desistir de suas tão sofridas batalhas por liberdade? Nos últimos anos acompanhamos as imagens e os julgamentos mais dolorosos que acometem muitos que sonham com a liberdade. Resistentes e perseverantes na esperança de terem novamente a possibilidade de sorrir, asseiam por compreensão, ou para ter de volta gestos acriançados como o de jogar bola, soltar pipa, ou ainda, pelo desejo de ir livremente a escola. O século XX é marcante do ponto de vista das atrocidades ou talvez sempre tenha sido, entretanto a velocidade em que tais atos chegam aos nossos lares através da globalização, nos faz assistir a decarrota de civilizações que não respeitam nem suas crianças. É... me parece que a humanidade não aprendeu, e nem tem interesse de viver tal prerrogativa. Talvez a humanidade tem perdido o que de mais belo tem, a própria humanidade. Uma nova cortina de ferro é erguida na Europa, e agora, as discussões não estão relacionadas às complexas questões ideológicas acerca de qual sistema politico/econômico é hegemônico, e sim, o quão perverso somos em reproduzir, parafraseando o Papa Francisco, a globalização da indiferença.

domingo, junho 12, 2016

GABARITO DO ESTUDO DIRIGIDO

Gabarito do Estudo Dirigido 

1. Defina Recursos Naturais: 

Recurso natural pode ser definido como qualquer elemento ou aspecto da natureza que esteja em demanda, seja passível de uso ou esteja sendo usado pelo Homem, direta ou indiretamente, como forma de satisfação de suas necessidades físicas e culturais em determinado tempo e espaço. Os recursos naturais são componentes da paisagem geográfica, materiais ou não, que ainda não sofreram importantes transformações pelo trabalho humano e cuja própria gênese independe do Homem (...). Apesar de a ocorrência e distribuição dos recursos naturais depender de dinâmicas naturais, eles só podem assim ser considerados segundo uma perspectiva histórica, portanto, só podem ser compreendidos a partir de uma perspectiva geográfica que relaciona a sociedade e a natureza. 

2. Apresente as diferenças conceituais entre recursos renováveis e não-renováveis. 

Recurso Renováveis Qualquer coisa que possa se renovar é chamada de recurso renovável. Animais, insetos, árvores e plantas são recursos renováveis. Mas nem todos são seres vivos. A luz do Sol, o vento e os marés são chamados de recursos renováveis '' de fluxo '' , pois eles são contínuos. Apesar de a água ser um recurso renovável , apenas 3% do total da água do mundo é utilizável. O resto está congelado ou é muito salgado para se usar.

Recursos não Renováveis Qualquer coisa que leve muito tempo para se formar novamente é um recurso natural não renovável. O carvão e o petróleo são recurso não renováveis. Isso porque eles levam milhões de anos para se formar. Outros recursos naturais não renováveis são: gás natural , minerais , como os diamantes, metais como o ferro, minério, cobre, ouro e prata. A quantidade de um recurso que está disponível, o tempo que leva para se renovar e seu uso é o que se considera para estabelecer o valor ou o preço de cada recurso natural. 

3. Quais são os princípios históricos que fundamentam o debate sobre meio ambiente? 

“O livro “Primavera Silenciosa”, publicado, na década de 60, pela jornalista norte–americana Rachel Carson, já alertava sobre os efeitos danosos de inúmeras ações humanas sobre o ambiente. Malthus (1766-1834) simboliza uma corrente de peso na economia que consideravam que a avareza da natureza representava um obstáculo maior para o desenvolvimento econômico; Nos anos 1970, essa corrente readquiriu peso com o Relatório do Clube de Roma “Limites ao Crescimento” elaborado pelo grupo do MIT (Inst. Tecnol. Massachussets) Hipótese básica a economia cresce exponencialmente enquanto os recursos naturais são finitos. O sistema econômico interage com o ecossistema terrestre de duas maneiras: Extraindo recursos minerais e explorando recursos renováveis Emitindo efluentes e gerando poluição  

4. Como pode ser definido o conceito de desenvolvimento sustentável? 

Desenvolvimento sustentável ou ecodesenvolvimento: conceito originado há 36 anos, em Paris, durante a Biosphere Conference. Leva em consideração, além dos fatores econômicos, aqueles de caráter social e ecológico, assim como as disponibilidades dos recursos vivos e inanimados, e as vantagens e inconvenientes, a curto e longo prazos, de outros tipos de ação. É um conceito difícil de implementar, dadas as complexidades econômicas e ecológicas das situações atuais. Há fatores sociais, legais, religiosos e demográficos, que também interferem na aplicação de considerações e diretrizes ecológicas às finalidades e processos de desenvolvimento (Glossário de Ecologia). 

5. Faça uma correlação entre os conceitos de sustentabilidade, pobreza e fome. 

Adentrar nas discussões sobre desenvolvimento sustentável, das inter-relações presentes entre a produção, a sociedade, o meio ambiente, a cultura, o território, a política, é adentrar num espaço que também envolve conflitos, justificáveis, em certa medida, pela própria complexidade envolvida nessa concepção. O processo produtivo normalmente envolve alguma externalidade negativa, por mais que se adotem tecnologias limpas de produção. E, nesse sentido, a condição desigual presente em nível mundial revela que os países mais pobres têm maior dificuldade em adotar tecnologias limpas de produção, devido ao seu alto custo; e essa desvantagem pode ser observada, também, em nível do seu consumo. De outra parte, é preciso crescer economicamente, gerar renda e emprego para que a massa de trabalhadores possa estar incluída não apenas na população economicamente ativa ocupada, mas nos principais processos sociais, ter condições de pertencer na estrutura capitalista atual. O que não significa que se deva acreditar ingenuamente sobre a relação que o desenvolvimento econômico mantém com o crescimento econômico. 

6. Defenda os princípios fundamentais defendidos na: 

a) Rio-92  

Reafirma os princípios do Desenvolvimento Sustentável (Nosso Futuro Comum). Estabelece o princípio das responsabilidades comuns mais diferenciadas. Elaboração da Agenda 21 - distribuída em seções como: Dimensões Sociais e Econômicas, Conservação e Gerenciamento de Recursos, Fortalecimento do Papel dos Maiores Grupos e Meios de Implantação (detalhes).Desdobra-se nos seguintes temas: mudança do clima, ar e água, transporte alternativo, ecoturismo, redução do desperdício e redução da chuva ácida. Marca o crescimento da importância das ONGs no debate. Cria-se a Convenção sobre Mudança Climática, da Biodiversidade (Protocolo de Biossegurança) e da Desertificação. 

b) Agenda 21 

É um programa de ação traduzido num documento de 40 capítulos. Constitui a mais ousada e abrangente tentativa de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. 

c) Rio + 10 

Tema: a Eco 92 e fazer novos apontamentos para a questão ambiental. Resultado: não houve avanço na questão ambiental, mas a dimensão social ganhou força (incorporação das metas do milênio). Estabelecidos em 2000 pela ONU: erradicar a pobreza extrema e a fome. atingir o ensino básico universal. promover igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres. reduzir a mortalidade na infância. melhorar a saúde materna. combater o HIV, a malária e outras doenças. garantir a sustentabilidade ambiental. parceria mundial para o desenvolvimento.  

d) Protocolo de Kyoto

Tratado com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa (causas antropogênicas). Meta de reduzir a emissão destes gases em 5,2% em relação aos níveis de 1990 (entre 2008 e 2012). Ratificado em 2005 após a entrada da Rússia (55% dos maiores emissores). Os EUA e China, maiores poluidores não ratificam. A meta prevista não foi atingida. Surge o comércio internacional de emissões 

e) Rio +20 

Rio +20 (Rio de Janeiro) - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável: Maior evento já realizado pela ONU. Presença de 190 países e ONGs Balanço das conferências anteriores e novas proposições (agenda do D. S. para as próximas décadas). Destaque para a discussão em torno da economia verde e instrumentos de governança. 

f) Estocolmo 1972 

A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada em 1972 em Estocolmo, na Suécia, foi a primeira Conferência global voltada para o meio ambiente, e como tal é considerada um marco histórico político internacional, decisivo para o surgimento de políticas de gerenciamento ambiental, direcionando a atenção das nações para as questões ambientais. 

7. Faça uma pesquisa de um parágrafo sobre o conceito de crédito de carbono. 

Créditos de Carbono são certificados que autorizam o direito de poluir. O princípio é simples. As agências de proteção ambiental reguladoras emitem certificados autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes. Inicialmente, selecionam-se indústrias que mais poluem no País e a partir daí são estabelecidas metas para a redução de suas emissões. A empresas recebem bônus negociáveis na proporção de suas responsabilidades. Cada bônus, cotado em dólares, equivale a uma tonelada de poluentes. Quem não cumpre as metas de redução progressiva estabelecidas por lei, tem que comprar certificados das empresas mais bem sucedidas. O sistema tem a vantagem de permitir que cada empresa estabeleça seu próprio ritmo de adequação às leis ambientais. Estes certificados podem ser comercializados por intermédio das Bolsas de Valores e de Mercadorias, como o exemplo do Clean Air de 1970, e os contratos na bolsa estadunidense (Emission Trading - Joint Implementation). 

8. Faça uma referência aos principais problemas ambientais no planeta, apresentando uma característica de cada um. Foque no conceito de aquecimento global. 

Problema ambiental deve ser entendido como um desequilíbrio provocado por um choque, um "trauma ecológico", um impacto ambiental, resultante da ação antrópica (homem) sobre o meio ambiente. 

Os principais problemas ambientais são: 

Poluição (ar, solo [erosão], visual, águas, sonora); 
Resíduos sólidos (lixo); 
Esgoto; 
Enchentes; 
Inversão térmica; 
Ilhas de calor; 
Chuva ácida; 
Aquecimento Global;
Desertificação; Arenização; 
Assoreamento; 

As causas dos problemas ambientais: 

Revolução industrial (industrialização); 
Capitalismo e globalização (Consumismo); 
Urbanização (crescimento das cidades); 
Aumento populacional (7 bilhões de habitantes no mundo); 
Ineficácia da política de Educação Ambiental. 

 Aquecimento Global 

(...) está relacionado com a rarefação do CO2 na atmosfera, ao longo do tempo geológico, permitindo o aumento da superfície pela maior insolação (sic). (Desgelo gerado pelo derretimento das geleiras e calotas polares). 

Terra vem passando por mudanças climáticas decorrentes do aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera. Os gases causadores deste fenômeno são: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Hidrofluorcarbonos (HFCs), Perfluorcarbonos (PFCs) e por último o Hexafluoreto de Enxofre (SF6). O mais poluente entre eles é o Dióxido de Carbono, cuja concentração na atmosfera saltou de 288 partes por milhão (ppm) no período pré-industrial (até 1750) para 378,9 ppm em 2005, de acordo com o estudo de Schein (SCHEIN,2006). Esse gás é o principal responsável pela retenção do calor na atmosfera, impedindo que a radiação da superfície terrestre seja liberada de volta ao espaço. As principais fontes de emissão desse gás provêm de atividades humanas decorrentes da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, das florestas em decomposição e do desmatamento. Essas atividades geradoras do aumento de gases do efeito estufa causam um efeito global, portanto, nenhum país está imune das conseqüências do aquecimento global, quer seja um agente passivo ou ativo nesse processo.

terça-feira, março 01, 2016

RESUMÃO 9º ANO - ORIGENS DO SUBDESENVOLVIMENTO - GLOBALIZAÇÃO - DIT


RESUMÃO 9º ANO

29/02/2016
Cap. 9 – Cap 11 – PROVA OBJETIVA

Breve resumo do conteúdo abordado em sala.

1º Bimestre – Prova Objetiva

- Origens do Subdesenvolvimento e DIT, Globalização e Multinacionais. 

 
RESUMÃO 9º ANO

Cap. 9 – Cap 11 – PROVA OBJETIVA
Origens do grau de subdesenvolvimento dos países.
As fases e doutrinas do capitalismo:
FASES:
DOUTRINAS:
Capitalismo Comercial
Mercantilismo
Capitalismo Industrial
Liberalismo
Capitalismo Financeiro
Keynesianismo
Capitalismo Informacional
Neoliberalismo
Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-se dividir o capitalismo em quatro fases:
1. Capitalismo comercial;

Estendeu-se do fim do século XV até o século XVIII e foi marcada pela expansão marítima das potências econômicas da Europa Ocidental na época (Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc.). Nessa época, as trocas comerciais proporcionaram grande acumulo de capitais. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista. O mercantilismo foi uma doutrina econômica adotada pelas monarquias nacionais nos séculos XV ao XVIII e baseava-se na intervenção do Estado na economia. O objetivo era acumular riquezas por meio da instalação de colônias e da estruturação do comércio mundial. Isso incluía a manutenção de uma balança comercial favorável. Um dos principais objetivos dos países europeus passou a ser exploração de recursos naturais das colônias e a ampliação do mercado. Estabeleceu-se, assim, uma divisão internacional do trabalho (DIT), conhecido como Pacto Colonial ou DIT Primitiva. As colônias passaram a constituir uma economia complementar em que vendiam produtos a baixos preços, compravam a preços mais elevados e produziam apenas o que a metrópoles não produziam, café, algodão, açúcar.

2. Capitalismo industrial;

Corresponde a fase da Primeira e da Segunda Revolução industrial ocorridos no final do século XVIII, na Europa Ocidental (Reino Unido). Um de seus aspectos mais importantes foi o aumento da capacidade de transformação da natureza, por meio da utilização de máquinas hidráulicas e a vapor, com grande incremento no volume de mercadorias produzidas e consequente necessidade de ampliação do mercado consumidor em escala mundial. Foi também marcado por uma crescente aceleração da circulação de pessoas e mercadorias, graças à expansão das redes de transporte terrestre e marítimo. O comércio não era mais a essência do sistema. Nessa nova fase, o lucro provinha principalmente da produção de mercadorias realizada por trabalhadores assalariados. O regime assalariado é, a relação de trabalho mais adequada ao capitalismo e se disseminou à medida que o capital se acumulava em grande escala nas mãos dos donos dos meios de produção, gerando lucro para o capitalista e mais-valia ao trabalhador. O papel do Estado começou a mudar nesta época. A doutrina que melhor correspondia aos anseios da burguesia era a o liberalismo econômico. Adam Smith em seu livro a riqueza das nações, defendia o individuo contra o poder do Estado e acreditava que cada um, ao buscar seu próprio interesse, contribuiria para o interesse coletivo de modo mais eficiente. O Estado não deveria mais atuar nem intervir na economia, mas apenas garantir a livre concorrência entre as empresas (laissez-faire, laissez-passer). Os princípios liberais aplicados às trocas comerciais internacionais redundaram na defesa do livre comércio, ou seja, da redução e até abolição das barreiras para a livre circulação das mercadorias.

3. Capitalismo financeiro;

Surge no final do século XIX, sendo marcante o processo de concentração e centralização de capitais. Empresas foram criadas e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, casas comerciais, corretores. Houve fusões e incorporações que resultaram na formação de monopólios e oligopólios. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo, fazendo surgir as multinacionais. O crescente aumento da produção e a industrialização expandiu-se para outros países, acirrou-se a concorrência. Foi nesse contexto que ocorreu a expansão imperialista (neocolonial) no século XIX, na África e na Ásia – Conferência de Berlim (1884-1885), como forma de explorar matéria prima e gerar novos mercados consumidores. Essa partilha imperialista consolidou a Divisão Internacional do Trabalho pela, qual as colônias se especializaram em fornecer matérias primas baratas para os países centrais e destes comprando os produtos manufaturados. A DIT marcou a organização do espaço sob o capitalismo. As relações centro-periferia foram, em grande parte, fundamentadas pela divisão entre os países industriais e os países primários exportadores. A DIT, no entanto, não é inalterável; ela se modifica de acordo com a conjuntura internacional. As crises do capitalismo levam a reestruturações econômicas e espaciais, podendo mudar o papel dos países nessa divisão. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a formação do bloco socialista, uma nova DIT se apresentou. Alguns países subdesenvolvidos passaram a exportar além de matérias primas também produtos industrializados (economias emergentes).

As crises do sistema capitalista

A primeira grande crise do capitalismo ocorreu com a grande guerra provocados pelo imperialismo das grandes potências. Ressentimentos nacionalistas e rivalidades políticas e econômicas provocavam crises permanentes. O progresso da indústria, a necessidade de escoar os produtos industrializados e a busca por novas matérias primas e alimentos contribuíram pelas novas conquistas coloniais. A internacionalização do capital, que atraiu a oposição do nacionalismo econômico abalou os fundamentos da civilização européia, pôs em risco sua hegemonia e abriu espaço para entrada de novos personagens no cenário econômico mundial A crise econômica de 1929. O enxugamento dos recursos financeiros internos provocou diminuição da quantidade de moeda corrente para compra de produtos. Houve aumento excessivo da produção por parte das empresas durante a década de 1920. Com o tempo, o mercado consumidor não era mais capaz de absorver a produção industrial o que levou a diminuição da produção e ao desemprego. Uma onda de especulação nas bolsas de valores. Os investidores eram atraídos por lucros que não eram mais gerados no sistema produtivo. Cada um comprava as ações pela “certeza” que as venderia por um preço mais elevado.

OS EFEITOS DA CRISE

Em outubro de 1929, ocorreu a quebra da bolsa em New York: Os preços das ações despencaram. Os investidores correram para se desfazer de seus papéis, a qualquer preço. A crise de 1929 foi o marco inicial de um período de recessão econômica e desemprego que se estendia em todo mundo. Em muitos países, o Estado passou a interferir na economia. O New Deal (novo acordo), programa econômico e social, voltado ao combate ao desemprego e á ajuda aos carentes. Na Europa cria-se o “Estado do bem-estar social”. Uma política de garantia de saúde, educação e aposentadoria aos cidadãos.
4. Capitalismo técnico-científico informacional.
A nova fase do capitalismo nos trouxe uma profunda transformação de conceitos, que acabam por reconfigurar a própria forma de trabalhar com a informação. Em meio a um desdobramento acelerado de culturas – permeadas pelos novos elementos e códigos que a revolução digital nos trouxe – a relação entre o indivíduo e a informação mudou drasticamente. O que antes era elemento de fomento de um determinado conhecimento, muitas vezes generalista, passou a ser um instrumento decisório cada vez mais específico, em alguns momentos sendo mais do que uma parcela da confusão de um conhecimento maior, mas o conhecimento em si.

5. GLOBALIZAÇÃO

O que é globalização? A difusão do termo globalização ocorreu por meio da imprensa financeira internacional, em meados da década de 1980. Depois disso, muitos intelectuais dedicaram-se ao tema, associando-a à difusão de novas tecnologias na área de comunicação, como satélites artificiais, redes de fibra ótica que interligam pessoas por meio de computadores, entre outras, que permitiram acelerar a circulação de informações e de fluxos financeiros. Globalização passou a ser sinônimo de aplicações financeiras e de investimentos pelo mundo afora. Além disso, ela foi definida como um sistema cultural que homogeneíza, que afirma o mesmo a partir da introdução de identidades culturais diversas que se sobrepõem aos indivíduos. Por fim, houve quem afirmasse estarmos diante de um cidadão global, definido apenas como o que está inserido no universo do consumo, o que destoa completamente da idéia de cidadania (Ribeiro, 1995). Porém "No debate sobre a globalização não temos encontrado análises que consideram os fragmentos que ele acarreta. Ao contrário, ressaltam-se as suas vantagens aparentes, porém sem configurá-la com maior precisão" (Ribeiro, 1995:18). A globalização é discutida, segundo as categorias tempo/espaço, no âmbito do sistema-mundo, na pós-modernidade e à luz dos conceitos de nação, mercado mundial e lugar. Tornada paradigma para a ação, a globalização reflete nos Estados-nação exigindo um protecionismo que em tese se contradiz com a demanda "livre e global" apregoada pelos liberais de plantão. Porém, ao olhar para o lugar, para onde as pessoas vivem seu cotidiano, identifica-se o lado perverso e excludente da globalização, em especial quando os lugares ficam nas áreas pobres do mundo. Ao reafirmar o mesmo, a globalização econômica não consegue impedir que aflorem os outros, resultando em conflitos que muitos tentam dissimular como competitividade entre os Estados-nação e/ou corporações internacionais, sejam financeiras ou voltadas à produção. A globalização é fragmentação ao expressar no lugar os particularismos étnicos, nacionais, religiosos e os excluídos dos processos econômicos com objetivo de acumulação de riqueza ou de fomentar o conflito (Ribeiro, 2001). A obra de Milton Santos contribuiu para precisar o fenômeno da globalização. Mas o autor queria mais. Ela chegou a propor uma outra globalização, baseada na solidariedade, embora reconhecesse que ela afetou a cultura atual.

O MUNDO COMO FÁBULA, COMO PERVERSIDADE E COMO POSSIBILIDADE

A GLOBALIZAÇÃO COMO FÁBULA

 "[...] A máquina ideológica que sustenta as ações preponderantes da atualidade é feita de peças que se alimentam mutuamente e põe em movimento os elementos essenciais à continuidade do sistema. Damos aqui alguns exemplos. Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. A partir desse mito e do encurtamento das distâncias - para aqueles que realmente podem viajar - também se difunde a noção de tempo e espaço contraídos. É como se o mundo houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão. Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas.  Há uma busca de uniformidade, ao serviço dos atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal. Enquanto isso, o culto ao consumo é estimulado. [...]

A GLOBALIZAÇÃO COMO PERVERSIDADE

De fato, para a grande maior parte da humanidade a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. Novas enfermidades, como a Aids, se instalam e velhas doenças, supostamente extirpadas, fazem seu retorno triunfal. A mortalidade infantil permanece, a despeito dos progressos médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez mais inacessível. Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a corrupção.
A perversidade que está na raiz dessa evolução negativa da humanidade tem relação com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas. Todas essas mazelas são direta ou indiretamente imputáveis ao presente processo de globalização.

UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO (POSSIBILIDADE)

Todavia, podemos pensar na construção de um outro mundo, mediante uma globalização mais humana. As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica [...]. É nessas bases técnicas que o grande capital se apoia para construir a globalização perversa. Mas, essas mesmas bases técnicas poderão servir a outros objetivos, se forem postas ao serviço de outros fundamentos sociais e políticos. Parece que as condições históricas do fim do século XX apontavam para esta última possibilidade. [...]"

6.  FASES DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Quanto à diferença entre Primeira, Segunda e Terceira Revolução Industrial, pode-se afirmar que cada uma assinalou um momento de desenvolvimento tecnológico.

A Primeira Revolução Industrial, feita com bases técnicas mais simples (máquina a vapor, carvão como principal fonte de energia, força de trabalho não especializada nem qualificada), ocorreu até o fim do século XIX. Caracterizou-se pelo fato de o Reino Unido (Inglaterra) ter sido a grande potência mundial - e principal exemplo de industrialização - e as indústrias têxteis, o setor de vanguarda.

A Segunda Revolução Industrial exigiu uma base técnica mais complexa (refino do petróleo, que se tornou a principal fonte de energia do século XX, máquinas e motores mais sofisticados e movidos a energia elétrica, mão de obra especializada) e predominou do fim do século XIX até meados dos anos 1970. Ela se prolonga até os nossos dias, uma vez que uma imensa parte do globo ainda não ingressou, de fato, na Terceira Revolução Industrial e, ao mesmo tempo, existem diversos países subdesenvolvidos - em especial na África e no sul e sudeste da Ásia – que nem sequer consolidaram o estágio da Segunda Revolução Industrial. Os Estados Unidos foram a grande potência econômica e o principal modelo de industrialização dessa fase ou estágio da Revolução Industrial, caracterizada ainda pelo predomínio da indústria automobilística e outras indústrias a ela ligadas (petroquímica, siderúrgica, metalúrgica, etc.).

A Terceira Revolução Industrial, também denominada revolução técnico-científica-informacional, encontra-se em andamento desde meados dos anos 1970 e deverá desenvolver-se mais plenamente no transcorrer do século XXI. Ela se iniciou tanto nos Estados Unidos, sobretudo na Califórnia (informática, telecomunicações), como no Japão (robótica, microeletrônica) e na Europa ocidental, em particular na Alemanha (biotecnologia, química fina). É marcada pelo predomínio de indústrias altamente sofisticadas, como as mencionadas, e que exigem muita tecnologia e maior qualificação da força de trabalho.


7. Modelos produtivos

Taylorismo

Teve início no começo do século passado, tinha como objetivo principal dinamizar o trabalho na indústria. O criador desse sistema produtivo foi Frederick Taylor, que acreditava na especialização de tarefas, ou seja, o trabalhador desenvolvia uma única atividade, por exemplo, alguém que colocava os faróis nos automóveis na indústria automobilística faria apenas isso o dia todo sem conhecer os procedimentos das outras etapas da produção, além de monitorar o tempo gasto para a realização de tarefas e premiação àqueles que tivessem um grande rendimento em seu trabalho.

Fordismo

Essa modalidade de produção foi criada a partir do Taylorismo, com seu mentor Henry Ford na década de 20. Sua ideia foi elaborada em sua própria indústria de automóvel, a Ford, baseado na especialização da função e na instalação de esteiras sem fim na linha de montagem, à medida que o produto deslocava na esteira o trabalhador desenvolvia sua função. Com isso, visava diminuir o tempo gasto no trabalho, aumentar a produtividade, diminuir o custo de produção e, principalmente, realizar a produção em massa para o consumo ocorrer no mesmo passo.

Toyotismo

Sistema de produção criado no Japão que tinha em sua base a tecnologia da informática e da robótica, isso ocorreu na década de 1970, e primeiramente foi usado na fábrica da Toyota. Nessa modalidade de produção o trabalhador não fica limitado a uma única tarefa, o operário desenvolve diversas atividades na produção. Outra criação desse sistema é o just-in-time, produzir a partir de um tempo já estipulado com intenção de regular os estoques e a matéria-prima.

Volvismo

No fim do século passado emergiu um novo modelo de organizar e gerenciar a produção industrial. Como na maioria dos outros modelos de produção, esse foi desenvolvido na fábrica da Volvo, e conciliou execução manual e automação. No Volvismo há um grande investimento no trabalhador em treinamentos e aperfeiçoamento, no sentido que esse consiga produzir por completo um veículo em todas as etapas, além de valorizar a criatividade e o trabalho coletivo e a preocupação da empresa com o bem estar do funcionário, bem como sua saúde física e mental.

8. CRISE DE 2008

A crise financeira de 2008 foi a maior da história do capitalismo desde a grande depressão de 1929. Começou nos Estados Unidos após o colapso da bolha especulativa no mercado imobiliário, alimentada pela enorme expansão de crédito bancário e potencializada pelo uso de novos instrumentos financeiros, a crise financeira se espalhou pelo mundo todo em poucos meses. O evento detonador da crise foi a falência do banco de investimento Lehman Brothers no dia 15 de setembro de 2008, após a recusa do Federal Reserve (Fed, banco central americano) em socorrer a instituição. Essa atitude do Fed teve um impacto tremendo sobre o estado de confiança dos mercados financeiros, rompendo a convenção dominante de que a autoridade monetária norte-americana iria socorrer todas as instituições financeiras afetadas pelo estouro da bolha especulativa no mercado imobiliário. O rompimento dessa convenção produziu pânico entre as instituições financeiras, o que resultou num aumento significativo da sua preferência pela liquidez, principalmente no caso dos bancos comerciais. O aumento da procura pela liquidez detonou um processo de venda de ativos financeiros em larga escala, levando a um processo de “deflação de ativos”, com queda súbita e violenta dos preços dos ativos financeiros, e contração do crédito bancário para transações comerciais e industriais. A “evaporação do crédito” resultou numa rápida e profunda queda da produção industrial e do comércio internacional em todo o mundo. Com efeito, no último trimestre de 2008 a produção industrial dos países desenvolvidos experimentou uma redução bastante significativa, apresentando, em alguns casos, uma queda de mais de 10 pontos base com respeito ao último trimestre de 2007. Mesmo os países em desenvolvimento, que não possuíam problemas como seus sistemas financeiros, como o Brasil, também constataram uma fortíssima queda na produção industrial e no Produto Interno Bruto (PIB). De fato, no caso brasileiro, a produção industrial caiu quase 30% no último trimestre de 2008 e o PIB apresentou uma contração anualizada de 14% durante esse período.

9. CONSENSO DE WASHINGTON


O Consenso de Washington foi a forma como ficou popularmente reconhecido um encontro ocorrido em 1989, na capital dos Estados Unidos. Nesse encontro, realizou-se uma série de recomendações visando ao desenvolvimento e à ampliação do neoliberalismo nos países da América Latina. As ideias desse encontro – tidas como um “receituário”, e não como uma imposição – já eram proclamadas pelos governos dos países desenvolvidos, principalmente EUA e Reino Unido, desde as décadas de 1970 e 1980, quando o Neoliberalismo começou a avançar pelo mundo. Além disso, instituições como o FMI e o Banco Mundial já colocavam a cartilha neoliberal como pré-requisito necessário para a concessão de novos empréstimos e cooperação econômica. Dessa forma, as recomendações apresentadas giraram em torno de três ideias principais: abertura econômica e comercial, aplicação da economia de mercado e controle fiscal macroeconômico.

Dentre as premissas básicas colocadas no Consenso de Washington, podemos destacar:

a) Disciplina fiscal, em que o Estado deveria cortar gastos e eliminar ou diminuir as suas dívidas, reduzindo custos e funcionários.
b) Reforma fiscal e tributária, em que o governo deveria reformular seus sistemas de arrecadação de impostos a fim de que as empresas pagassem menos tributos.
c) Privatização de empresas estatais, tanto em áreas comerciais quanto nas áreas de infraestrutura, para garantir o predomínio da iniciativa privada em todos os setores.
d) Abertura comercial e econômica dos países, diminuindo o protecionismo e proporcionando uma maior abertura das economias para o investimento estrangeiro.
e) Desregulamentação progressiva do controle econômico e das leis trabalhistas.


Apesar de o Brasil ter sido um dos poucos países que não aceitaram de imediato essas medidas, foi um dos que mais rapidamente as aplicou, em um processo que conheceu o seu ápice ao longo da década de 1990. A principal ação do governo brasileiro nesse sentido foi a implantação da política de privatizações, em que empresas estatais dos ramos de energia, telecomunicações, da mineração e outros foram transferidas para a iniciativa privada. O Consenso de Washington tornou-se, dessa forma, uma verdadeira “receita de bolo” para a execução das premissas neoliberais em toda a região latino-americana, que acatou as suas ideias principalmente pela pressão e influência exercidas pelo governo dos Estados Unidos e por instituições como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD). Grupos e movimentos de esquerda e estatistas direcionam frequentes críticas ao consenso, sobretudo por considerarem que as suas ideias teriam sido direcionadas para atender aos interesses norte-americanos em toda América Latina, além de beneficiar as elites locais, favorecendo a concentração de renda nos países da região. Em oposição, esses grupos apontam que a solução para os países do sul seria adotar uma política inversa à preconizada em Washington, com uma maior intervenção do Estado na economia, além da ampliação e fortalecimento das leis trabalhistas.

10. CONSUMISMO

Obsolescência programada e obsolescência perceptiva têm o mesmo objetivo, criar equipamentos para ir para lixo, mas “funcionam” de formas diferentes:

A obsolescência perceptiva acontece quando as pessoas são induzidas a consumir bens que se tornam obsoletos antes do tempo, tendo em vista que atualmente os produtos saem das fábricas com tempo de validade “vencido”. Isso, porque os produtos fabricados atualmente duram muito menos tempo que os produtos de 10 anos atrás. Os produtos atuais são mais suscetíveis a danos e quando esses necessitam de consertos o produto na maioria das vezes é descartado ou armazenado, dado que o seu conserto não é economicamente viável à vista do valor de um novo produto.

O termo obsolescência programada associado a vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido.


FONTE: SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 17-20.